A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 continua sem avançar no Senado Federal e deve entrar no recesso parlamentar sem votação. Diante do impasse, o governo federal passou a trabalhar para garantir, ao menos, o envio do texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa considerada fundamental para o andamento da proposta.
O pedido foi feito pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, durante uma reunião reservada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Inicialmente, a expectativa do Palácio do Planalto era de que a PEC fosse votada ainda no primeiro semestre, mas o cronograma acabou sendo frustrado.
Desde o dia 28 de maio, a proposta permanece parada, aguardando despacho de Alcolumbre para a CCJ. Sem essa medida, a tramitação não pode prosseguir.
Caso o presidente do Senado encaminhe a PEC à comissão antes do recesso, caberá ao presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), indicar um relator para analisar o texto. Nos bastidores, o nome mais cotado para assumir a função é o do senador Omar Aziz (PSD-AM).
Aliados do governo avaliam que Aziz reúne condições de conduzir um debate equilibrado sobre a proposta, por ser considerado um parlamentar de perfil moderado, ligado ao centro político e com alinhamento ao Palácio do Planalto.
A expectativa é que, se confirmado como relator, o senador promova uma série de discussões com representantes do setor empresarial, trabalhadores e demais segmentos diretamente afetados pela possível mudança na jornada de trabalho.
A PEC que propõe o fim da escala 6×1 tem gerado intenso debate no Congresso e na sociedade. Defensores argumentam que a medida pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, enquanto representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os impactos econômicos e operacionais que a mudança pode provocar. Enquanto isso, o governo tenta garantir que a proposta avance pelo menos até a fase de análise na CCJ antes do início do recesso parlamentar.