O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que o pedido de impugnação apresentado pelo Partido Liberal (PL) contra uma pesquisa eleitoral do instituto foi motivado por um erro recorrente no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não por falhas na metodologia ou no registro do levantamento.
A manifestação foi feita após o PL contestar a pesquisa divulgada em 25 de junho, que apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um cenário de primeiro turno para a Presidência da República.
Segundo Roman, a ausência de alguns arquivos na consulta pública do sistema decorre de uma falha técnica já registrada anteriormente.
“Trata-se de um erro de sistema recorrente e com jurisprudência relevante, como, por exemplo, neste caso recente no Paraná. O diretor do Instituto Vox abordou o assunto na audiência pública de ontem no TSE”, escreveu o executivo.
O CEO também criticou as tentativas de colocar em dúvida a credibilidade do instituto.
“Lamento as tentativas de descredibilização do trabalho imparcial e de altíssima qualidade metodológica da AtlasIntel. As campanhas responsáveis por essa prática deverão se explicar perante os seus próprios eleitores. A AtlasIntel não mudará sua técnica nem alterará seus estudos por conta de qualquer tipo de pressão política, econômica ou judicial”, afirmou em publicação na rede social X.
O que questiona o PL
Na ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral, o Partido Liberal alega que a AtlasIntel divulgou os resultados da pesquisa sem disponibilizar, dentro do prazo previsto em lei, documentos considerados obrigatórios para o registro do levantamento.
Entre as informações apontadas pelo partido estão a identificação dos municípios e setores pesquisados, a quantidade de eleitores entrevistados em cada localidade e a composição da amostra por gênero, faixa etária, escolaridade e nível socioeconômico.
Além da impugnação da pesquisa, o PL protocolou outra petição solicitando ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, a criação de regras mais rígidas para o registro, fiscalização e divulgação de pesquisas eleitorais em todo o país.
TSE estuda criar selo de acurácia
Em meio ao debate sobre a confiabilidade dos levantamentos eleitorais, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, anunciou a proposta de criar um “selo de acurácia eleitoral” para reconhecer os institutos cujas pesquisas apresentarem maior proximidade com os resultados oficiais das urnas.
A iniciativa foi apresentada durante uma reunião com representantes de 16 institutos de pesquisa realizada na sede do TSE.
“É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que, a cada ciclo, dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia. Essa iniciativa destina-se ao reconhecimento das entidades cujas estimativas apresentem o maior grau de aderência aos resultados oficiais das eleições”, declarou o ministro.
Durante o encontro, Nunes Marques concedeu prazo até a próxima sexta-feira (17) para que os institutos encaminhem sugestões sobre a proposta. Enquanto isso, caberá ao TSE analisar o pedido de impugnação apresentado pelo PL e decidir se houve irregularidade no registro da pesquisa da AtlasIntel.
