Mesmo com contrato renovado com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030, o técnico italiano Carlo Ancelotti poderá enfrentar um obstáculo caso um projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados avance. A proposta, protocolada nesta quarta-feira (8), pretende impedir que a Seleção Brasileira tenha treinadores estrangeiros e atletas que defendem clubes do exterior.
O texto é de autoria do deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) e estabelece que apenas jogadores brasileiros registrados em clubes sediados no país e participantes de competições nacionais possam ser convocados para as seleções masculina, feminina e de base.
Além dos atletas, a medida também alcança a comissão técnica. Pela proposta, treinador, auxiliares, preparadores físicos e demais profissionais deverão ser brasileiros e manter vínculo profissional com clubes ou entidades esportivas estabelecidas no Brasil.
Caso a proposta seja aprovada, jogadores que atuam em equipes estrangeiras deixariam de ser elegíveis para defender a Seleção, assim como técnicos de outras nacionalidades.
A iniciativa foi apresentada poucos dias após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026. A equipe comandada por Carlo Ancelotti foi derrotada por 2 a 1 pela Noruega nas oitavas de final. Dos 26 atletas convocados para o Mundial, 19 atuavam em clubes do exterior.
Ao defender o projeto na tribuna da Câmara, Luiz Carlos Hauly afirmou que o objetivo é mudar o perfil das convocações da Seleção Brasileira.
“Acabei de apresentar um projeto de lei para proibir jogadores de futebol que jogam no exterior e técnicos. Chega! Basta dessas estrelas que vêm para a Copa do Mundo como vestais e chegam na Copa, fazem o Brasil passar vergonha”, declarou o parlamentar.
Projeto também prevê veto a patrocínios de empresas de apostas
Outro ponto da proposta proíbe clubes, associações esportivas e entidades responsáveis pela administração do esporte de firmarem contratos de patrocínio ou publicidade com empresas de apostas esportivas e jogos de azar.
A vedação inclui a exibição de marcas em uniformes, estádios, centros de treinamento, placas de publicidade, entrevistas, transmissões, redes sociais e eventos esportivos.
Se a proposta virar lei, os contratos em vigor deverão ser encerrados no prazo de até 180 dias após a sanção. O descumprimento poderá resultar na suspensão do acesso a recursos públicos federais, incentivos fiscais e outras penalidades previstas na legislação.
Proposta ainda será analisada pelo Congresso
O projeto está em fase inicial de tramitação na Câmara dos Deputados. O texto ainda precisa ser encaminhado pela Mesa Diretora para análise das comissões temáticas. Se for aprovado nessa etapa e, quando necessário, pelo plenário da Câmara, seguirá para apreciação do Senado Federal.
