Uma investigação do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, revelou um perfil preocupante dos grupos criminosos que atuam na internet: a maioria dos investigados tem entre 12 e 20 anos, enquanto as principais vítimas são meninas de 6 a 14 anos.
Segundo a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, coordenadora do núcleo, cerca de 90% dos investigados são adolescentes. Muitos ingressam nessas comunidades virtuais em busca de acolhimento e pertencimento, mas acabam sendo incentivados à prática de crimes, como automutilação, extorsão, exploração sexual e até o incentivo a ataques contra escolas.
As investigações apontam que o aliciamento costuma começar em jogos online e plataformas de conversa, onde os criminosos conquistam a confiança das vítimas. Depois, a comunicação migra para outros aplicativos, momento em que começam os pedidos de fotos e vídeos íntimos, além de chantagens e manipulação psicológica.
“A violência não começa pela violência. Ela começa pelo acolhimento”, resume a delegada.
Quando a polícia identifica uma criança ou adolescente em situação de risco, a prioridade é interromper imediatamente o crime. Em casos de transmissões ao vivo, equipes entram em contato com os responsáveis enquanto viaturas são enviadas ao local para garantir a segurança da vítima.
Após o resgate, vítimas e familiares são encaminhados para atendimento psicológico por meio de uma parceria entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo.
Orientações para pais e responsáveis:
- Converse frequentemente sobre segurança digital e uso da internet.
- Acompanhe os jogos e aplicativos utilizados pelas crianças.
- Oriente para que nunca compartilhem fotos, vídeos ou dados pessoais com desconhecidos.
- Fique atento a mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo ou pedidos para manter “segredos” de pessoas conhecidas apenas pela internet.
- Diante de qualquer suspeita de aliciamento, ameaça ou chantagem, procure imediatamente a Polícia Civil e registre a ocorrência.
As autoridades reforçam que a prevenção, o diálogo e o acompanhamento da atividade online de crianças e adolescentes são fundamentais para reduzir esse tipo de crime.