O Nubank anunciou, na noite desta segunda-feira (20), a aquisição de 100% do Banco Porto Real de Investimentos S.A., em uma operação que marca um novo passo na estratégia da empresa de consolidar sua atuação no sistema financeiro brasileiro.
Apesar de ser a maior instituição financeira privada do país em número de clientes, o Nubank ainda não possui uma licença bancária no Brasil. A compra do Banco Porto Real tem justamente o objetivo de obter essa autorização junto ao Banco Central.
Por que o Nubank está comprando outro banco?
A operação está diretamente ligada à Resolução Conjunta nº 17, publicada pelo Banco Central (BC) e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que padronizou o uso da denominação “banco” por instituições financeiras reguladas.
A norma determinou que empresas que utilizam essa nomenclatura, mas ainda não possuem licença bancária, apresentem um plano de adequação ao Banco Central e concluam o processo dentro do prazo estabelecido.
O Nubank já havia informado ao mercado, em dezembro de 2025, que buscaria uma licença bancária no Brasil. A aquisição do Banco Porto Real representa o caminho escolhido para cumprir essa exigência.
O que muda para os clientes?
Segundo o Nubank, nada muda para os cerca de 115 milhões de clientes brasileiros.
A empresa continuará oferecendo normalmente seus produtos e serviços. A diferença será apenas regulatória, já que a licença bancária será incorporada ao grupo.
Hoje, o Nubank opera por meio de outras autorizações concedidas pelo Banco Central, como:
- Instituição de Pagamento;
- Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI);
- Corretora de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM).
Com a conclusão da compra, a licença bancária do Banco Porto Real passará a integrar esse conjunto de autorizações.
Banco adquirido é de pequeno porte
Fundado em 1992, o Banco Porto Real de Investimentos está sediado no município de Porto Real, no interior do Rio de Janeiro.
Segundo dados do Banco Central referentes a março de 2026, a instituição possui:
- ativos totais de R$ 6,2 milhões;
- carteira de crédito de R$ 1,8 milhão;
- patrimônio líquido de R$ 6 milhões;
- apenas duas agências.
O banco também não faz parte de nenhum conglomerado financeiro.
Operação ainda depende do Banco Central
A compra ainda precisa ser aprovada pelo Banco Central antes de ser concluída oficialmente.
Em comunicado, o Nubank informou que manterá investidores e clientes informados sobre o andamento do processo.
A empresa também destacou que a incorporação da licença bancária não exigirá aumento de capital nem mudanças na estrutura de liquidez, preservando sua atual posição financeira.
Expansão internacional
O anúncio ocorre poucos dias depois de outro avanço importante da empresa.
Recentemente, o Nubank recebeu autorização das autoridades financeiras do México para atuar oficialmente como banco naquele país.
A operação mexicana já reúne mais de 15 milhões de clientes e deverá receber investimentos de US$ 4,2 bilhões até 2030.
Segundo o fundador e CEO da companhia, David Vélez, o objetivo é consolidar o Nubank como banco nos principais mercados onde atua e, futuramente, ampliar essa estratégia para os Estados Unidos, considerados o próximo grande passo da expansão internacional da empresa.
Mercado reagiu à notícia
Antes do anúncio da aquisição, as ações do Nubank encerraram o pregão em alta de 2,94%, cotadas a US$ 13,99.
No mercado após o fechamento (after-market), os papéis apresentaram pouca variação, sendo negociados próximos de US$ 13,97, refletindo uma reação estável dos investidores à operação.