O escritório de advocacia da ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Sterman, recebeu R$ 700 mil, no fim de 2024, de uma empresa que hoje é apontada em investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O caso ganhou novos desdobramentos após o sócio formal da empresa afirmar à Polícia Civil de São Paulo que era apenas um “laranja” e que vendeu seus dados para a abertura do CNPJ.
A empresa em questão é a ACX ITC Serviços de Tecnologia. Segundo o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a companhia integra uma rede de empresas supostamente utilizada para movimentação e ocultação de recursos atribuída ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
De acordo com a CPMI, essa estrutura seria composta por mais de 40 empresas interligadas, que teriam movimentado cerca de R$ 39 bilhões. Entre elas também está a Victory Trading, empresa sancionada nesta semana pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Embora a ACX ITC Serviços declare capital social superior a R$ 100 milhões, seu proprietário oficial, Ericsson de Azevedo, de 50 anos, afirmou em depoimento prestado em 23 de janeiro deste ano ao delegado Julio Jesus Encarnação, da 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Entorpecentes da Polícia Civil de São Paulo, que nunca administrou a empresa.
Segundo o depoimento, Ericsson relatou que enfrentava dificuldades financeiras e recebeu R$ 5 mil para fornecer seus dados pessoais, que teriam sido utilizados na abertura da empresa em seu nome.
Até o momento, não há indicação pública de que a ministra Verônica Sterman seja investigada ou acusada de qualquer irregularidade. A coluna da jornalista Andreza Matais informou que não localizou processos judiciais em que a ministra tenha atuado em favor da ACX ITC Serviços ou de outras empresas ligadas ao grupo investigado.
A reportagem também informou que procurou novamente a ministra, por meio da assessoria de imprensa do Superior Tribunal Militar, na tarde de quinta-feira (2), mas não obteve resposta até a publicação da matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.