O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia a possibilidade de não participar dos debates promovidos por emissoras de televisão e outros veículos de comunicação durante o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. A estratégia, segundo informações publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo, ainda está em discussão dentro da cúpula petista e não foi oficialmente definida.
De acordo com a publicação, parte dos aliados do presidente considera que a ausência nos debates pode reduzir o desgaste da campanha. A avaliação é de que Lula seria o único representante do campo da esquerda nos confrontos, ficando mais exposto aos ataques de adversários como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Por outro lado, integrantes do PT defendem que os debates também podem representar uma oportunidade para o presidente enfrentar diretamente Flávio Bolsonaro, apontado como o principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto.
Pelas regras da legislação eleitoral, as emissoras de rádio e televisão são obrigadas a convidar candidatos de partidos que possuam mais de cinco representantes no Congresso Nacional, critério baseado na composição eleita em 2022. Nesse cenário, além de Lula e Flávio Bolsonaro, apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) teriam presença obrigatória nos debates.
A estratégia de um presidente candidato à reeleição optar por não participar dos debates não é inédita na política brasileira. Em 2006, o próprio Lula deixou de comparecer aos debates do primeiro turno durante sua campanha à reeleição. Em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também adotou a mesma postura.
Apesar das discussões internas, a decisão ainda não foi tomada. Segundo a Folha de S.Paulo, a participação de Lula deverá ser avaliada de acordo com o andamento da campanha e o impacto dos primeiros encontros entre os candidatos.
A primeira definição pode ocorrer em relação ao debate da Band, previsto para o dia 16 de agosto. A mesma data também é cogitada pelo PT para realizar o ato oficial de lançamento da candidatura à reeleição do presidente.
