O Tesouro Nacional pode voltar a intervir no mercado de títulos públicos para tentar conter a forte alta dos juros reais. Segundo informações obtidas por grandes instituições financeiras, o governo sinalizou a possibilidade de realizar leilões extraordinários de recompra, principalmente de títulos atrelados à inflação (NTN-Bs).
De acordo com a apuração, a medida entrou no radar após semanas de pressão sobre a curva de juros, impulsionada por incertezas fiscais e pela maior percepção de risco entre investidores. Nesse cenário, os papéis indexados ao IPCA passaram a oferecer juros reais próximos de 8,5% ao ano, enquanto os títulos prefixados se aproximaram de 14,7%.
A estratégia consiste em o Tesouro recomprar títulos longos colocados à venda por fundos e investidores, buscando aumentar a liquidez do mercado, reduzir a volatilidade e evitar que a alta das taxas encareça ainda mais o custo de financiamento da dívida pública.
O mercado já havia observado ações semelhantes neste ano. Em março, o Tesouro realizou uma série de recompras extraordinárias de títulos públicos para conter a escalada dos juros, na maior intervenção do tipo em mais de uma década.
Segundo operadores do mercado financeiro, caso a pressão sobre a curva de juros continue nas próximas sessões, um novo anúncio poderá ocorrer a qualquer momento.