O senador Flávio Bolsonaro apresentou uma manifestação de 86 páginas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), na qual pede o adiamento da proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e defende a abertura de uma negociação bilateral entre os dois países.
O documento será utilizado como complemento à participação do parlamentar em uma audiência pública marcada para a próxima terça-feira (7), em Washington, que discutirá a possível aplicação da tarifa pelo governo do presidente Donald Trump.
Carta reconhece críticas dos EUA e propõe negociação
Na manifestação, Flávio Bolsonaro não contesta os temas investigados pelo USTR. O texto reconhece que questões como regulação de plataformas digitais, combate à corrupção, propriedade intelectual, barreiras comerciais, acesso ao mercado de etanol e fiscalização ambiental continuarão no centro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Em vez da aplicação imediata da sobretaxa, o senador propõe que os dois países estabeleçam um cronograma de negociações, com metas definidas e possibilidade de retomada das tarifas caso não haja avanços nas tratativas.
Pix, plataformas digitais e comércio entram na pauta
O documento também aborda o sistema Pix, afirmando que ele foi criado durante o governo anterior e defendendo que o mecanismo não discrimina empresas americanas. Além disso, trata de temas ligados ao comércio digital, à proteção da propriedade intelectual e às regras ambientais que vêm sendo debatidas pelas autoridades norte-americanas.
Segundo o texto, esses assuntos deveriam ser solucionados por meio de acordos e cooperação entre os governos, e não por sanções comerciais.
Negociações oficiais continuam
Apesar da iniciativa do senador, os governos brasileiro e norte-americano seguem mantendo negociações oficiais para buscar uma solução antes do prazo previsto para a eventual entrada em vigor da tarifa, marcada para 15 de julho.
Especialistas avaliam que, independentemente do desfecho da disputa, temas como comércio digital, regulamentação de plataformas, propriedade intelectual, combate à corrupção e questões ambientais devem permanecer na agenda econômica entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.