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Início Economia

Estudo aponta falhas em cálculos de riscos fiscais do governo e alerta para possível “bomba” nas contas públicas

Por Junior Melo
05/jul/2026
Em Economia
Foto: Reprodução/ Internet

Foto: Reprodução/ Internet

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Um estudo elaborado pelo núcleo de tributação do Insper aponta falhas metodológicas e falta de transparência nas estimativas de riscos fiscais apresentadas pelo governo federal no Anexo de Riscos Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo os pesquisadores, as inconsistências dificultam a avaliação do real impacto de ações judiciais que podem afetar as contas públicas.

Na LDO de 2025, o governo estimou passivos potenciais de R$ 729,9 bilhões, valor equivalente a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, o levantamento afirma que esse montante pode não refletir a dimensão real dos riscos.

Estudo aponta ausência de estimativas em ações bilionárias

A pesquisa analisou os Anexos de Riscos Fiscais publicados ao longo dos últimos dez anos e identificou que nove disputas tributárias relevantes em tramitação no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça aparecem no documento sem qualquer estimativa de impacto financeiro.

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Para os autores, essa ausência impede saber se os valores apresentados pelo governo estão acima ou abaixo do risco efetivo.

A coordenadora do estudo, Vanessa Rahal Canado, afirmou que a falta de informações pode esconder um passivo de grandes proporções para a União.

Pesquisadores questionam metodologia

O levantamento também identificou casos em que o governo ainda discutia a metodologia de cálculo de determinados processos, embora os respectivos valores já estivessem incluídos no Anexo de Riscos Fiscais.

Segundo os pesquisadores, algumas premissas utilizadas nas estimativas não refletem adequadamente o impacto financeiro que eventuais derrotas judiciais poderiam gerar para os cofres públicos.

A pesquisa teve início durante o julgamento da chamada “Tese do Século”, quando se discutia a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Na época, estimava-se que uma derrota da União poderia representar um impacto bilionário nas contas públicas.

AGU defende mudança na divulgação dos dados

Em resposta às conclusões do estudo, a Advocacia-Geral da União afirmou que alterou o formato de divulgação das informações para evitar o uso indevido dos dados durante processos judiciais.

Segundo o órgão, o modelo anterior permitia identificar ações específicas e seus respectivos valores, o que, na avaliação da AGU, comprometia a estratégia de defesa da União.

A instituição também sustentou que essas informações passaram a ser apresentadas ao Poder Judiciário como se representassem uma confissão de dívida por parte do governo, influenciando decisões de magistrados.

Debate sobre transparência

Os pesquisadores, por outro lado, avaliam que a nova política reduz a transparência e dificulta o controle social sobre as estimativas utilizadas pelo governo.

Segundo o estudo, os valores constantes no Anexo de Riscos Fiscais vêm sendo citados com frequência crescente em votos de ministros do STF desde 2017, reforçando a importância de que os critérios utilizados para esses cálculos sejam públicos e verificáveis.

Enquanto isso, a Receita Federal do Brasil não comentou as conclusões da pesquisa, e o Ministério do Planejamento e Orçamento informou que não é responsável pela elaboração do relatório técnico.

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