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Início Política

STM deve deixar para depois das eleições julgamento sobre perda da patente de Bolsonaro

Por Junior Melo
05/jul/2026
Em Política
Foto: Reprodução/ X

Foto: Reprodução/ X

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O Superior Tribunal Militar deve analisar apenas após as eleições de outubro os processos que discutem a perda de posto e patente de militares condenados por tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo integrantes da Corte, mudanças recentes no rito processual, o recesso do Judiciário e o calendário eleitoral tornam improvável que os julgamentos ocorram antes do pleito.

Corte evita julgamento em meio ao ambiente eleitoral

Nos bastidores do STM, a avaliação é de que o período eleitoral pode aumentar a polarização em torno dos processos. Por isso, a preferência seria analisar os casos em um cenário político considerado mais estável.

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Também pesa a expectativa de que o resultado das eleições possa influenciar o contexto jurídico dos processos.

Entre os fatores citados está a possibilidade de uma eventual anistia aos condenados. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro já declarou publicamente que pretende conceder anistia a Bolsonaro caso seja eleito.

Recesso e novo rito também atrasam os processos

Além do calendário eleitoral, o cronograma do Judiciário contribui para o adiamento das análises. Com o recesso forense, os prazos processuais permanecem suspensos até o início de agosto.

Outro fator é a mudança aprovada recentemente pelo próprio STM para disciplinar os processos de perda de posto e patente. Pelas novas regras, as partes poderão apresentar novos elementos durante a tramitação.

As defesas passam a ter a possibilidade de solicitar o compartilhamento de documentos produzidos no Supremo Tribunal Federal e anexar declarações de testemunhas abonatórias destinadas a atestar a reputação e a conduta funcional dos militares.

Além disso, cada processo seguirá tramitação individual, sob responsabilidade de um relator próprio, o que pode fazer com que os julgamentos avancem em ritmos diferentes.

Como está o processo de Bolsonaro

No caso de Jair Bolsonaro, a defesa já apresentou suas manifestações ao STM.

A próxima etapa será a elaboração do voto pelo ministro relator. Em seguida, o processo será encaminhado ao ministro revisor e, somente depois dessas fases, poderá ser liberado para julgamento.

A definição da data caberá à presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha.

O que o STM vai analisar

O julgamento na Justiça Militar não rediscute a condenação criminal aplicada pelo STF.

A competência do STM limita-se a avaliar se as condutas atribuídas aos militares condenados são compatíveis com os requisitos morais exigidos para a manutenção do posto e da patente militar.

Além de Bolsonaro, também respondem a processos semelhantes o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e os generais Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Walter Braga Netto.

Já o tenente-coronel Mauro Cid não será submetido ao procedimento. Como sua condenação foi de dois anos de prisão em decorrência do acordo de colaboração premiada, ela não atinge o requisito legal exigido para abertura do processo de perda de posto e patente, aplicável apenas a condenações superiores a dois anos.

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