Um erro em uma transferência bancária passou a ser uma das principais provas reunidas pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, investigação que apura um suposto esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com documentos obtidos pela investigação, uma transferência realizada em duplicidade, em agosto de 2024, permitiu que os investigadores relacionassem mensagens de WhatsApp com dados obtidos por meio da quebra de sigilo bancário, fortalecendo a suspeita de pagamentos de vantagens indevidas.
Segundo o relatório final da PF, em 8 de agosto de 2024, o operador financeiro Cícero Marcelino informou ao presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, que havia efetuado, por engano, um pagamento em duplicidade destinado ao codinome “Herói E”, identificado em planilhas internas apreendidas durante a operação.
Ao comparar a conversa com os extratos bancários obtidos na investigação, os policiais identificaram duas transferências de mesmo valor, ambas de R$ 300.000,10, realizadas na mesma data.
Conforme o relatório, as empresas To Hire Cars Locadora de Veículos Ltda. e Santos Consultoria e Assessoria Ltda. transferiram, cada uma, R$ 300.000,10 para a Construtora V L H Ltda.
Na avaliação da Polícia Federal, a coincidência entre a conversa registrada por WhatsApp e as movimentações financeiras reforça a autenticidade da contabilidade paralela supostamente utilizada pelos envolvidos no esquema.
O documento destaca que a análise dos dados bancários confirmou a existência do pagamento em duplicidade realizado em 8 de agosto de 2024, validando informações encontradas tanto nas planilhas quanto nas mensagens apreendidas durante a investigação.
Ainda segundo a PF, Cícero Marcelino mantinha registros internos dos pagamentos realizados pelo grupo utilizando codinomes para identificar os destinatários. A partir desse material, os investigadores passaram a confrontar cada anotação com as movimentações bancárias para verificar se os repasses realmente haviam sido efetuados.
O mesmo procedimento foi empregado para rastrear outras operações atribuídas ao grupo, cruzando planilhas, conversas por aplicativo e extratos bancários com o objetivo de reconstruir o fluxo dos recursos investigados.
A Operação Sem Desconto apura um suposto esquema de descontos associativos considerados irregulares em benefícios previdenciários do INSS. As investigações também apontam indícios de lavagem de dinheiro e de pagamento de vantagens indevidas com parte dos valores movimentados.
