O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (30), que poderá deixar de participar de debates eleitorais caso considere que as discussões não contribuam para informar a população. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Inteligência Limitada.
Pré-candidato à reeleição, Lula criticou o que classificou como queda na qualidade dos debates políticos e disse que não pretende participar de confrontos marcados por ataques pessoais.
“Eu, como presidente da República, não vou para debate ouvir bobagem. Quero saber o seguinte: qual é o nível do debate? Porque se não servir para informar a população e politizá-la, porque é que eu vou responder sacanagem? Porque vou fazer debate com um cara que não tem compromisso com ninguém? Nunca me recusei a ir para debate, mas não vou me prestar a dar colher de chá para quem não merece”, afirmou o presidente.
Lula também criticou o atual ambiente político e o uso das redes sociais durante as campanhas eleitorais.
“Debate era uma coisa mais séria. A política vem apodrecendo ano a ano. A quantidade de mentiras, utilização da internet como uma fábrica de mentiras e ferir a imagem dos outros é muito grande. Tem muita gente que se guia por algoritmos agora”, acrescentou.
Lula comenta investigação envolvendo Lulinha
Durante a entrevista, o presidente também comentou a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para a abertura de um novo inquérito que investigará o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeita de tráfico de influência.
Lula afirmou que não utilizará o cargo para beneficiar o filho e garantiu que ele será tratado da mesma forma que qualquer outro cidadão.
Segundo o presidente, Lulinha atualmente mora na Espanha, mas retornará ao Brasil para exercer sua defesa caso seja necessário.
Lula afirmou ainda que o filho “não tem o direito de errar” após os episódios enfrentados pela família nos últimos anos e ressaltou que, caso qualquer irregularidade seja comprovada, ele responderá perante a Justiça como qualquer outra pessoa.
Presidente descarta influência dos EUA nas eleições
Ao comentar as eleições de 2026, Lula disse não acreditar que o governo dos Estados Unidos consiga interferir no resultado do pleito brasileiro em favor da oposição.
Segundo o presidente, “ninguém ganha do Brasil mentindo”.
Durante a entrevista, Lula também criticou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmando que ele “não gosta da América Latina” e que os Estados Unidos procuram tratar a região como seu “quintal”.
O presidente ainda defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral brasileiro. Segundo ele, caso o sistema fosse suscetível a fraudes, sua própria eleição jamais teria sido possível.
Primeiro debate será em agosto
O primeiro debate televisivo entre os candidatos à Presidência da República está previsto para o dia 23 de agosto e será promovido pela Band, emissora que tradicionalmente abre a série de confrontos eleitorais.
A emissora também confirmou que organizará o primeiro debate de um eventual segundo turno das eleições presidenciais.
