Eduardo Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (21) que não conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre a obtenção do green card. O ex-deputado federal e sua família receberam recentemente o benefício, que amplia os direitos de residência no país.
Segundo Eduardo, durante os contatos que teve com autoridades americanas, o foco foi tratar de temas considerados de interesse dos brasileiros, e não de uma questão pessoal.
“Esse não foi um assunto que eu levei ao presidente Trump, nem ao secretário Marco Rubio. São pessoas que estão entre as mais disputadas atenções do mundo inteiro. O pouco espaço que a gente teve para conversar com eles, a gente direcionou para aquilo que é melhor para os brasileiros, não buscando algo para mim”, afirmou em entrevista ao Metrópoles.
O ex-parlamentar explicou que o processo para conseguir o benefício envolve uma série de critérios estabelecidos pelo governo americano. Segundo ele, existem 10 requisitos possíveis, sendo necessário atender a pelo menos três deles.
“São dados 10 requisitos, onde você tem que atender pelo menos três deles. O governo americano nunca informa qual dos três você atendeu, mas dentre a série de possibilidades que eu tentei preencher, o máximo de requisitos possível”, explicou.
Eduardo citou alguns fatores que, na avaliação dele, podem ter contribuído para a aprovação do pedido. Entre eles, mencionou o fato de ter sido eleito deputado federal com recorde de votos em 2018 e agradeceu aos eleitores.
“Eu posso destacar aqui, por exemplo, o que eu citei: o fato de eu ser o deputado federal que tem o recorde no número de votos para deputado federal. Então eu agradeço a todos os meus eleitores que me depositaram a confiança em 2018, que isso daí me deu notoriedade”, declarou.
Ele também destacou a repercussão internacional de suas declarações e afirmou ter reunido reportagens de veículos estrangeiros como parte do processo.
“Por outro lado, né, você ser uma pessoa onde aquilo que você diz tem repercussão internacional. Então eu fui coletando matérias dos seus colegas da imprensa de outros países, né, da Inglaterra, de Portugal, Espanha, Argentina, Estados Unidos, e também anexei a esse processo”, disse.
De acordo com Eduardo, foram necessárias duas entrevistas antes da aprovação do pedido de residência para ele e seus familiares.
“Ainda foi necessário que eu fizesse duas entrevistas, o que não é normal. Normalmente apenas uma entrevista é o requisito, e antigamente nem uma entrevista era necessária. E assim eu consegui, obtendo. E é natural, quando eu faço o pedido, que a minha família também, por reflexo, receba essa permissão”, afirmou.
O ex-deputado relatou ainda que chegou a considerar a solicitação de asilo político, mas optou pelo processo conhecido como EB-1, categoria destinada a pessoas com “habilidades extraordinárias”.
Segundo Eduardo, a escolha ocorreu porque, na visão dele, o asilo dependeria de uma análise mais subjetiva e poderia apresentar maior insegurança jurídica.
“O asilo depende de um julgamento subjetivo. Aquilo que é perseguição para um pode não ser para outro. (…) Nós acreditamos primeiro que eu preenchia, e verificou-se correto, né, de preencher esses requisitos para obter a residência, o green card na modalidade “habilidades extraordinárias”. E também porque a nossa ideia é que não se levaria tanto tempo até uma próxima eleição. (…) Então, de maneira a eu ficar mais seguro aqui nos Estados Unidos, sem qualquer possibilidade de reversão através de um ativismo judicial, eu acabei decidindo por ir através do EB-1 e não através de um asilo. Mas o asilo sempre também esteve, né, no nosso radar”, concluiu.