A decisão judicial que impede o senador Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias poderá ser utilizada como argumento durante a campanha eleitoral, mas seu impacto nas urnas ainda dependerá da reação do eleitorado. A avaliação é do diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.
Segundo Hidalgo, o episódio tem potencial para fortalecer o discurso de perseguição judicial adotado pelo grupo político de Flávio Bolsonaro.
“A causa da perseguição é uma coisa que eu não tenho dúvida que o Flávio vai tentar usar nessa campanha. Se vai ter adesão ou não, isso será observado nas próximas pesquisas”, afirmou.
Tema mantém visibilidade nas redes sociais
Para o diretor do instituto, situações como essa ajudam a manter o pré-candidato em evidência e ampliam sua presença nas redes sociais, embora isso não signifique, necessariamente, influência direta sobre o resultado da eleição.
“A notícia faz com que ele fique nas redes, que ele tenha assunto para estar na rede”, declarou Hidalgo.
Apesar disso, ele considera que o debate em torno de uma suposta perseguição judicial não deverá ser o principal fator na decisão do eleitor.
Cenário segue equilibrado, diz instituto
Ao comentar os levantamentos mais recentes, Hidalgo afirmou que a disputa presidencial permanece acirrada.
“Temos uma eleição, pelas pesquisas publicadas nesta semana, muito equilibrada”, disse.
Segundo ele, os cenários analisados apontam equilíbrio entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno, dentro da margem de erro das pesquisas.
Economia, segurança e saúde devem pesar mais
Na avaliação do diretor do Paraná Pesquisas, os temas com maior influência sobre o voto tendem a ser aqueles ligados ao cotidiano da população.
“Não tenho dúvida de que essa não é uma pauta que vai decidir a eleição”, afirmou, ao comentar o discurso sobre perseguição judicial.
Para Hidalgo, fatores como economia, segurança pública e saúde deverão ter maior peso na escolha dos eleitores.
“A pauta que vai decidir a eleição lá na frente, eu não tenho dúvida que vai ser economia, o bolso do eleitor, segurança e saúde pública. Esse é o grande problema hoje dos brasileiros”, concluiu.
