O governo da Rússia anunciou nesta quarta-feira (8) a suspensão das exportações de diesel até o dia 31 de julho, em uma medida que pode afetar o mercado internacional de combustíveis e gerar impactos no Brasil, um dos principais compradores do produto russo.
A decisão foi tomada durante uma reunião do presidente Vladimir Putin com seu gabinete para discutir os efeitos dos recentes ataques da Ucrânia contra a infraestrutura energética do país. Segundo o governo russo, o veto tem como objetivo preservar o abastecimento interno diante da redução na capacidade de produção.
O Brasil é atualmente o segundo maior importador de diesel russo do mundo, atrás apenas da Turquia. Dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), da Noruega, mostram que 11% de todo o diesel exportado pela Rússia desde a imposição das sanções europeias teve o mercado brasileiro como destino.
Especialistas avaliam que, no curto prazo, o impacto sobre o abastecimento brasileiro tende a ser limitado, já que grande parte das importações é realizada por meio de contratos de longo prazo. No entanto, o cenário pode mudar caso o governo russo decida estender a restrição às exportações.
A suspensão ocorre em meio ao aumento dos ataques ucranianos contra refinarias e instalações petrolíferas russas. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a produção de derivados já sofreu quedas de até 25% em algumas semanas.
Na última segunda-feira (6), drones ucranianos atingiram a refinaria de Omsk, considerada a maior da Rússia e uma das mais importantes do país. O ataque foi um dos de maior alcance desde o início da guerra e aumentou as preocupações com a oferta global de combustíveis.
Além da guerra entre Rússia e Ucrânia, a crise no Oriente Médio também pressiona o mercado internacional, reduzindo a oferta de petróleo e derivados e elevando o risco de novos aumentos nos preços dos combustíveis em diversos países, incluindo o Brasil.
