Uma pesquisa do Instituto Datafolha revelou uma mudança significativa na opinião dos brasileiros sobre impostos e serviços públicos. Pela primeira vez desde o último levantamento, realizado em 2022, a maioria da população afirma preferir pagar menos impostos, mesmo que isso signifique não contar com serviços gratuitos oferecidos pelo Estado.
Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados disseram optar por uma carga tributária menor, enquanto 44% preferem pagar mais impostos em troca de serviços públicos gratuitos, como saúde e educação.
Em 2022, o cenário era inverso: 48% defendiam impostos mais altos com serviços gratuitos, contra 46% que preferiam uma tributação menor.
Preferência por menos impostos cresce
Os números indicam uma mudança na percepção dos brasileiros sobre o papel do Estado e o peso da carga tributária. Em quatro anos, o grupo favorável à redução dos impostos deixou de ser minoria e passou a representar metade dos entrevistados.
Já a parcela que prioriza a manutenção de serviços públicos financiados por tributos registrou queda de quatro pontos percentuais no período.
Homens defendem mais redução de impostos
O levantamento também identificou diferenças entre homens e mulheres.
Entre os homens, 56% afirmam preferir pagar menos impostos, enquanto 39% defendem uma carga tributária maior em troca de serviços públicos gratuitos.
Entre as mulheres, o cenário é mais equilibrado: 50% preferem pagar mais impostos para garantir serviços gratuitos, enquanto 44% optam pela redução da carga tributária.
Diferenças entre eleitores
O Datafolha também analisou as respostas conforme a preferência eleitoral dos entrevistados.
Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 59% defendem pagar mais impostos para financiar serviços públicos, enquanto 35% preferem uma carga tributária menor.
Já entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro, 65% afirmam preferir pagar menos impostos, contra 29% que apoiam uma tributação maior em troca da oferta gratuita de serviços.
Como foi feita a pesquisa
O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.