O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a investigação do conteúdo de celulares do advogado Frederick Wassef, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro, no âmbito do caso que apura o suposto desvio de joias recebidas do governo da Arábia Saudita.
Wassef e Bolsonaro foram indiciados pela Polícia Federal nas investigações sobre o caso. Além deles, outras dez pessoas também integram a lista de indiciados, entre elas o advogado da família Bolsonaro, Fabio Wajngarten, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente, e o general Mauro Lourena Cid, pai de Mauro Cid.
Também foram indiciados o almirante Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia; Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor da pasta; José Roberto Bueno Júnior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia; Marcelo da Silva Vieira, ex-chefe do Gabinete de Documentação Histórica da Presidência; Julio Cesar Vieira Gomes, ex-secretário especial da Receita Federal; Marcelo Costa Câmara e Osmar Crivelatti, ambos ex-ajudantes de ordens de Bolsonaro.
Apesar do avanço das investigações, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o arquivamento do caso. Segundo a procuradoria, não há base legal suficiente para responsabilização criminal no recebimento de presentes por presidentes da República, já que a legislação não define de forma clara se os itens pertencem ao chefe do Executivo ou ao patrimônio da União.
O caso veio à tona em março de 2023, após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelar a tentativa de entrada no Brasil de uma mala com joias enviadas pela Arábia Saudita e destinadas ao então presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a apuração, em outubro de 2021, o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, tentou trazer os itens ao país sem declará-los à Receita Federal, que apreendeu o material.
As investigações da Polícia Federal inicialmente se concentraram em dois conjuntos de joias recebidos em 2021, mas posteriormente identificaram um terceiro lote, datado de 2019. Entre os itens estavam brincos de diamantes destinados à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, anéis, abotoaduras, uma caneta da marca Chopard, um rosário árabe e dois relógios.
Além das joias, Bolsonaro também devolveu ao Tribunal de Contas da União (TCU) um conjunto de armas da marca Caracal recebido durante viagem oficial à Arábia Saudita.
