O brasileiro Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), já havia sido investigado no Brasil por suspeitas de lavagem de dinheiro em um caso envolvendo o patrocínio da Vai de Bet ao Corinthians.
Segundo o Departamento do Tesouro americano, Shimada atuava como um dos principais operadores financeiros da facção, sendo responsável por lavar mais de US$ 30 milhões obtidos com atividades criminosas e enviar recursos ao Brasil por meio de criptomoedas. As autoridades também afirmam que a empresa Victory Trading foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro em um suposto esquema de fraude publicitária.
Além de Shimada, os Estados Unidos sancionaram Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como sua “parente próxima e associada”. Segundo o governo americano, ela teria atuado como secretária do empresário e participado da logística de coleta de grandes quantias em dinheiro para operações de lavagem de dinheiro. Em seu nome consta a fintech GP8 Pay, que, segundo investigadores brasileiros, era controlada majoritariamente por Shimada.
Apesar das acusações feitas pelos EUA, o promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há décadas, afirmou à BBC News Brasil que desconhece qualquer ligação do casal com a facção.
“Desconheço que esse casal ou essas empresas tenham envolvimento com o PCC, mas não tenho conhecimento das investigações que o FBI e o Departamento de Justiça dos EUA fizeram a partir de alvos ligados ao PCC em Miami”, declarou.
Gakiya explicou que Shimada respondeu a investigações relacionadas a outros crimes, mas não por vínculos com o PCC.
Caso Vai de Bet
Victor Shimada foi um dos denunciados na investigação conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo sobre supostas irregularidades no contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet.
O caso resultou na denúncia contra o ex-presidente do clube, Augusto Melo, que sempre negou as acusações.
Na mesma investigação, Shimada chegou a ser preso preventivamente por suspeitas de lavagem de dinheiro e furto qualificado. Segundo o Ministério Público, ele teria movimentado cerca de R$ 35 milhões por meio de operações com criptomoedas.
O inquérito também chamou atenção para o padrão de viagens internacionais do empresário, que costumava comprar passagens para diferentes destinos no mesmo dia. Em um dos registros, de setembro de 2024, ele embarcou de Guarulhos com escala na República Dominicana e destino ao México. Os investigadores levantaram a hipótese de que ele pudesse seguir para os Estados Unidos, já que a passagem foi adquirida por uma agência sediada em Orlando.
Durante as investigações, a polícia também destacou a evolução patrimonial de Shimada. Segundo o inquérito, ele passou de proprietário de veículos populares, em 2017, para carros de luxo poucos anos depois, incluindo um Audi Q8 e um Porsche Taycan.
Posteriormente, Shimada foi condenado pela Justiça Federal a cinco anos de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de lavagem de dinheiro e furto qualificado mediante fraude eletrônica.
A BBC News Brasil informou que tentou contato com os advogados de Victor Shimada, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. Também não conseguiu localizar a defesa de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
