O vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura (PT) foi preso nesta quinta-feira (24/6) durante uma operação que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo o setor de transporte público.
Quem é o vereador preso na Operação Última Parada?
O parlamentar foi detido na Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ele é apontado como figura central de um esquema investigado por ocultação de patrimônio.
Em seu sexto mandato na Câmara Municipal, Senival ocupa atualmente cargos de destaque, incluindo a primeira-secretaria da Mesa Diretora e a presidência da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica. As informações são do g1.
Como funciona a investigação da Operação Última Parada?
As apurações tiveram início a partir da morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da empresa Transunião, assassinado em 2020. A partir desse caso, surgiram indícios de conexões com o suposto esquema.
Em 2022, novas investigações já apontavam a empresa como peça central de movimentações financeiras suspeitas, levando à apreensão de ônibus e prisões de envolvidos no caso.
Qual é a ligação entre a Transunião e o suposto esquema do PCC?
Segundo o Gaeco e o Deic, a empresa Transunião Transportes S.A. teria sido utilizada para ocultar patrimônio e movimentar recursos ligados à facção criminosa. O vereador é citado como beneficiário indireto das operações.
As investigações indicam que o esquema envolvia diferentes camadas de atuação, com operadores, familiares e pessoas de confiança. Entre os principais pontos levantados estão:
- Uso de laranjas para controle de veículos e ativos
- Movimentações financeiras informais e repasses de valores altos
- Possível uso político e eleitoral de recursos desviados
- Controle indireto sobre a frota de ônibus
Quais provas e movimentações financeiras foram identificadas?
Relatórios de inteligência financeira indicam que Senival teria movimentado cerca de R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022, com divergências relevantes em relação aos rendimentos declarados.
As investigações também apontam que mensagens em celulares apreendidos mostram que decisões financeiras dependiam de sua autorização, além de apelidos usados para se referir ao vereador, como “presidente” e “vereador”.
Quais outros nomes e familiares aparecem na investigação?
A operação aponta ainda o envolvimento de pessoas próximas ao parlamentar, que teriam atuado na estruturação e manutenção do suposto esquema financeiro investigado pelas autoridades. Entre os citados estão familiares e operadores ligados ao setor de transportes e à administração da empresa:
- Maria de Lourdes Andrade de Moura, esposa
- Ítalo e Vitor Andrade de Moura, filhos
- Rubens Pereira de Moura, irmão
- Adão Lino dos Santos, assessor parlamentar
- Devanil Sousa Nascimento (“Sapo”), motorista e operador
Segundo o MP-SP, esses nomes teriam participação em movimentações societárias e financeiras usadas para ocultar patrimônio e manter o controle indireto sobre ativos ligados ao vereador.
Como o histórico político do vereador se conecta ao setor de transportes?
De acordo com os investigadores, a trajetória política de Senival começou na Zona Leste de São Paulo, com atuação junto a operadores de transporte alternativo conhecidos como “perueiros”.
Ainda segundo os autos, sua relação com o setor seria antiga e remontaria à década de 1970, quando atuava em linhas clandestinas de transporte. A empresa investigada também já havia sido citada em apurações anteriores.