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Início Política

STF toma nova decisão contra reforma da Previdência de Bolsonaro e altera entendimento sobre aposentadoria especial

Por Junior Melo
16/jun/2026
Em Política
STF toma nova decisão contra reforma da Previdência de Bolsonaro e altera entendimento sobre aposentadoria especial

STF - Créditos: depositphotos.com / diegograndi

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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu invalidar a exigência de idade mínima para aposentadoria especial de trabalhadores expostos a agentes nocivos, alterando um dos pontos centrais da reforma da Previdência de 2019.

O que o STF decidiu sobre a aposentadoria especial dos trabalhadores?

O STF derrubou, no início de junho, a regra que impunha idade mínima para aposentadoria especial de profissionais expostos a condições insalubres. A decisão foi tomada na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6309.

A Corte entendeu que essa exigência contrariava a finalidade do benefício, que é justamente retirar o trabalhador de ambientes prejudiciais à saúde antes que danos mais graves ocorram. O julgamento ocorreu por maioria apertada de votos.

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Por que a idade mínima foi considerada inconstitucional pelo Supremo?

Os ministros entenderam que a regra criada pela reforma de 2019 distorceu o propósito da aposentadoria especial, que deve proteger a saúde do trabalhador e não prolongar sua exposição a riscos.

Segundo o voto vencedor, a exigência de idade mínima não teria sido baseada em critérios técnicos consistentes e poderia violar princípios fundamentais como a dignidade da pessoa humana. Entre os principais argumentos apresentados na ação estavam:

  • Falta de critérios técnicos para definição das idades mínimas
  • Aumento do tempo de exposição a agentes nocivos
  • Desvio da finalidade protetiva da aposentadoria especial
  • Possível violação da dignidade da pessoa humana

Como foi o julgamento e quais ministros divergiram da decisão?

O julgamento no STF terminou com placar de 6 votos a 5, evidenciando forte divisão entre os ministros sobre o tema. Prevaleceu o voto do ministro André Mendonça, seguido por Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Rosa Weber. Eles consideraram a exigência de idade mínima inconstitucional.

Já o relator original, ministro Luís Roberto Barroso, foi acompanhado por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Cristiano Zanin, defendendo a validade da regra da reforma de 2019. Para esse grupo, as mudanças eram constitucionais e necessárias ao equilíbrio do sistema.

O que muda para trabalhadores expostos a condições insalubres?

Com a decisão, a principal mudança é o afastamento da exigência de idade mínima para concessão da aposentadoria especial, o que pode facilitar o acesso ao benefício em determinadas situações.

Na prática, o julgamento reforça a proteção de trabalhadores que atuam em ambientes insalubres, como indústrias e atividades com exposição a agentes químicos, físicos ou biológicos. Entre os efeitos mais diretos estão:

  • Possibilidade de concessão mais precoce do benefício
  • Redução do tempo de permanência em ambientes nocivos
  • Reforço do caráter protetivo da aposentadoria especial
  • Maior alinhamento entre risco ocupacional e proteção previdenciária

O que permanece válido na Reforma da Previdência após a decisão do STF?

Mesmo com a derrubada da idade mínima, o STF manteve parte importante das regras da reforma da Previdência de 2019, especialmente no que se refere ao cálculo do benefício. A Corte decidiu preservar o modelo atual de cálculo, que reduziu o valor das aposentadorias em comparação ao sistema anterior à reforma.

O benefício passou a ser calculado com base em 60% da média salarial, acrescido de 2% por ano adicional de contribuição além do mínimo exigido, o que pode reduzir significativamente o valor final em muitos casos. Também foi mantida a regra que considera todas as contribuições desde julho de 1994, sem descarte dos menores salários, o que tende a diminuir a média utilizada no cálculo.

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