O Supremo Tribunal Federal (STF) articula uma possível ampliação de sua atuação nas eleições deste ano, em meio a preocupações internas sobre o desempenho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no combate à desinformação e na condução de decisões sensíveis do processo eleitoral.
Como o STF avalia atuação mais intensa nas eleições de 2026?
Ministros do STF admitem, nos bastidores, que a Corte pode assumir um papel mais ativo durante o período eleitoral. A avaliação de ao menos quatro magistrados é de que o Supremo deve atuar em situações específicas, especialmente para realizar correções em propaganda eleitoral quando necessário.
Essa percepção surge em um contexto de atenção redobrada sobre o funcionamento da Justiça Eleitoral. Para parte dos ministros, a complexidade do cenário atual pode exigir intervenções pontuais do STF como última instância do Judiciário. As informações são da coluna Bela Megale, pelo jornal O Globo.
Qual o impacto da suspensão de pesquisa por Nunes Marques no STF?
Um dos fatores que intensificaram o debate foi a decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, de suspender de forma monocrática uma pesquisa de maio. O levantamento indicava queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, o que gerou forte repercussão interna.
A medida foi interpretada por integrantes do STF como um possível sinal de maior cautela ou flexibilidade na atuação da Corte Eleitoral. Isso levantou preocupações sobre o impacto de decisões individuais em temas sensíveis durante o período eleitoral.
Preocupação com fake news e inteligência artificial
Outro ponto central do debate entre ministros é o risco crescente da disseminação de fake news, especialmente com o avanço do uso de inteligência artificial nas campanhas. A avaliação é de que o cenário de 2026 será ainda mais desafiador do que o de 2022.
Além disso, há receio de que a gestão do TSE sob Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência, possa não adotar o mesmo nível de rigor de administrações anteriores no enfrentamento à desinformação.
O que o STF pode fazer se o TSE não agir com rigor suficiente?
Caso o TSE não responda com a agilidade e firmeza esperadas por parte dos ministros do Supremo, cresce a possibilidade de atuação direta do STF em determinados casos eleitorais. A Corte, embora não costume intervir no processo eleitoral durante as campanhas, pode ser provocada.
Entre as possíveis formas de intervenção discutidas internamente estão diferentes mecanismos jurídicos que poderiam ser acionados:
- Análise de recursos contra decisões do TSE em casos específicos
- Intervenções em situações de possível violação constitucional
- Revisão de decisões eleitorais consideradas omissas ou contraditórias
- Atuação como instância final em disputas de grande impacto político
Tensões institucionais entre STF e TSE
Dentro do próprio TSE, já há preocupação de que uma atuação mais intensa do STF possa enfraquecer o papel da Justiça Eleitoral. A leitura é de que decisões da Corte Suprema poderiam gerar sobreposição de competências.
Um exemplo citado é o impasse envolvendo a eleição indireta no Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro. O caso, que envolve decisões divergentes entre STF e TSE, ainda não foi concluído, o que alimenta a discussão sobre limites institucionais entre as Cortes.