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Início Economia

Relatório dos EUA rebate versão de Lula e informa que tarifas sobre o Brasil não têm vínculo com Flávio e Eduardo Bolsonaro

Por Junior Melo
03/jun/2026
Em Economia
Relatório dos EUA rebate versão de Lula e informa que tarifas sobre o Brasil não têm vínculo com Flávio e Eduardo Bolsonaro

Lula - Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A divulgação do relatório do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) enfraqueceu a narrativa defendida pelo governo Lula e aliados de que a possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros seria resultado da atuação da família Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump.

Relatório dos EUA cita Bolsonaro como responsável pelas tarifas?

O documento publicado pelo USTR não menciona Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou Flávio Bolsonaro em nenhum trecho. A investigação foi aberta em julho de 2025 e apresenta uma série de questionamentos técnicos sobre práticas adotadas pelo Brasil.

Segundo o relatório, as preocupações americanas envolvem áreas regulatórias, comerciais e judiciais. Ao todo, foram listadas oito frentes de acusação, sendo que seis delas possuem relação direta ou indireta com decisões tomadas pelo Judiciário brasileiro. As informações são do Conexão Política.

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Por que o Pix entrou na mira dos Estados Unidos?

Um dos principais pontos abordados pelos americanos é o funcionamento do Pix. O USTR argumenta que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que poderia criar vantagens para a plataforma estatal em relação a empresas privadas.

O relatório também cita medidas consideradas intervencionistas, como exigências de adesão para determinadas instituições financeiras, regras de exibição nos aplicativos e a política de gratuidade para pessoas físicas. O governo brasileiro rejeita essa interpretação e afirma que o Pix não será negociado.

Como decisões do STF aparecem no relatório americano?

O documento afirma que autoridades brasileiras emitiram determinações sigilosas para remoção de conteúdos políticos e bloqueio de perfis em plataformas digitais sediadas nos Estados Unidos. As referências alcançam decisões relacionadas à moderação de redes sociais nos últimos anos.

Embora nem todos os ministros sejam citados nominalmente, o relatório aponta que boa parte das preocupações levantadas pelos EUA passa por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Das oito acusações apresentadas, seis têm ligação com ações do Poder Judiciário.

O que o relatório diz sobre Toffoli e a Lava Jato?

Na área de combate à corrupção, o USTR menciona dados da OCDE divulgados em 2023 sobre a falta de investigações envolvendo suborno transnacional no Brasil. O documento também cita diretamente o ministro Dias Toffoli.

Os americanos destacam a decisão que anulou provas ligadas aos sistemas Drousys e MyWebDay, utilizados nos acordos da Odebrecht. Segundo o relatório, a medida afetou mais de cem processos relacionados à Operação Lava Jato, descrita pelo USTR como um dos maiores casos de corrupção transnacional já investigados.

Quais outras irregularidades foram apontadas pelos EUA?

Além do Pix e das questões judiciais, o relatório apresenta outros temas que, segundo os americanos, prejudicam empresas e exportadores dos Estados Unidos. Entre os principais pontos estão:

  • Falta de reciprocidade no mercado de etanol;
  • Demora de até 109 meses na concessão de patentes biofarmacêuticas pelo INPI;
  • Acordos tarifários preferenciais com Índia e México;
  • Fiscalização considerada insuficiente do desmatamento ilegal no Cadastro Ambiental Rural.

O documento ainda destaca que as importações brasileiras de etanol americano alcançaram US$ 119,4 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, valor 3,8 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025.

O que acontece agora na investigação comercial dos EUA?

A possível aplicação de tarifas segue o rito previsto pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo passou a ser utilizado após a Suprema Corte dos Estados Unidos restringir o uso da IEEPA, legislação que permitia medidas econômicas emergenciais por decreto.

O processo ainda prevê consultas públicas e etapas formais. Comentários poderão ser enviados ao USTR até 1º de julho, enquanto uma audiência pública ocorrerá em 6 de julho. A decisão final ficará nas mãos de Donald Trump, que terá até 15 de julho para definir os próximos passos.

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