A greve geral em Portugal provocou uma forte paralisação nesta quarta-feira (3/6), afetando transportes, escolas e hospitais em todo o país. O movimento foi convocado por sindicatos em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo português.
Como a greve geral afeta transportes em todo o país?
A paralisação atingiu diretamente o setor de transportes, causando transtornos para milhares de passageiros. A estatal ferroviária CP suspendeu os serviços de longa distância e grande parte das linhas regionais.
Além disso, o metrô de Lisboa permaneceu fechado durante a greve. Nos aeroportos, centenas de voos foram cancelados ou sofreram alterações devido à adesão dos trabalhadores ao movimento.
Por que os sindicatos são contra a reforma trabalhista?
A principal central sindical portuguesa, a CGTP, afirma que as mudanças propostas podem enfraquecer direitos conquistados pelos trabalhadores. A entidade argumenta que a reforma amplia a precarização do emprego.
Segundo o presidente da CGTP, Tiago Oliveira, as novas regras facilitariam demissões, alterariam jornadas de trabalho e reduziriam garantias relacionadas ao direito de greve e à proteção parental.
O que prevê a proposta apresentada pelo governo?
O projeto altera mais de 100 artigos do Código do Trabalho e deverá ser aprovado pelo governo de centro-direita com apoio do partido Chega. A justificativa oficial é aumentar a produtividade e estimular o crescimento econômico. Entre os principais pontos da reforma estão:
- Facilitação das demissões por justa causa;
- Possibilidade de indenização em casos de demissão ilegal sem reintegração;
- Fim de restrições para terceirização;
- Mudanças nas regras de contratação e jornada de trabalho;
- Medidas voltadas para ampliar a flexibilidade nas relações trabalhistas.
Trabalhadores temem aumento da precarização
Muitos funcionários demonstram preocupação com os impactos das novas regras. O bancário Rodrigo Azevedo, de 30 anos, afirmou que os jovens poderão ficar presos a contratos considerados precários por períodos mais longos.
Segundo ele, a reforma também poderia ampliar a carga semanal de trabalho e facilitar a substituição de empregados por mão de obra terceirizada com custos menores para as empresas.
Como escolas e hospitais foram impactados?
A greve não afetou apenas os transportes. Diversas escolas fecharam em várias regiões do país por falta de funcionários suficientes para manter as atividades.
Nos hospitais, uma paralisação de enfermeiros levou ao adiamento de consultas e cirurgias. O cenário reforçou os efeitos da mobilização em serviços considerados essenciais para a população.
Governo minimiza impacto da paralisação
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, afirmou que a adesão dos trabalhadores do setor privado foi limitada. Segundo ela, a maior parte da economia portuguesa continuou funcionando normalmente.
Apesar da avaliação do governo, esta foi a segunda greve geral em apenas seis meses. A anterior ocorreu em dezembro e marcou a primeira paralisação nacional do gênero desde os protestos contra as medidas de austeridade registrados em 2013.