O empresário Lucas Prado Kallas, presidente do conselho de administração da Cedro Mineração e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), conhecido como “Conselhão”, foi indiciado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Parcours. A investigação apura um suposto esquema de exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Belo Horizonte.
Ao todo, 17 pessoas foram indiciadas. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que agora irá analisar o material e decidir se apresenta denúncia à Justiça.
Investigação aponta suposta fraude ambiental
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria utilizado documentos ambientais, como o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM), para encobrir a continuidade da extração comercial de minério em uma área protegida por tombamento.
Segundo a investigação, a atividade poderia ter movimentado até R$ 2,3 bilhões.
Suspeitas envolvendo o empresário
Conforme a PF, Lucas Kallas exerceu funções de gestão operacional na Mina Granja Corumi entre 2014 e 2018. Ele foi indiciado por suspeitas que incluem usurpação de bens minerais da União, mineração ilegal, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e possíveis práticas de corrupção ativa ou tráfico de influência junto a órgãos públicos.
Além de Kallas, também foram indiciados empresários, advogados, engenheiros, geólogos, consultores e servidores públicos. A investigação aponta que relatórios técnicos teriam sido elaborados para ocultar a exploração irregular, enquanto agentes públicos teriam favorecido o empreendimento por meio de pareceres e falhas na fiscalização.
A Polícia Federal também afirma que a empresa Fleurs Global Mineração seria responsável pelo beneficiamento e transporte do minério supostamente extraído de forma ilegal.
Prejuízo estimado ultrapassa R$ 800 milhões
Segundo a investigação, o esquema teria operado desde 2014, provocando um prejuízo estimado em R$ 832 milhões aos cofres públicos, além de impactos ambientais na Serra do Curral.
Perícias da Polícia Federal e auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam danos como a destruição da nascente do Córrego Taquaril, abertura de áreas de mineração além dos limites autorizados, ausência de recuperação ambiental e possíveis impactos ao lençol freático.
Os investigados respondem por suspeitas de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais e usurpação de bens da União. A Operação Parcours também possui ligação com a Operação Rejeito, que resultou no indiciamento de outras 34 pessoas.
Lula elogiou empresário em 2025
Em fevereiro de 2025, durante a assinatura do contrato de concessão do porto de Itaguaí, arrematado pela Cedro Mineração, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez elogios públicos a Lucas Kallas.
Na ocasião, o presidente afirmou que o considerava um “empresário sério” após conhecê-lo em uma reunião.
Defesa é feita por escritório ligado à família Moraes
Desde janeiro deste ano, a defesa de Lucas Kallas passou a contar com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
O caso relacionado à suposta extração irregular de minério pela empresa Empabra chegou ao STF após decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que apontou a necessidade de avaliar eventual conexão com pessoas detentoras de foro por prerrogativa de função.
Segundo as informações divulgadas, Kallas concedeu poderes ao escritório da família Moraes para atuar em sua defesa. O empresário também é acionista da Biomm, empresa do setor farmacêutico que tem entre seus principais investidores o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.