O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou a análise da decisão que suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel que indicava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha.
Por que o julgamento foi suspenso pelo TSE?
A análise foi interrompida na sessão desta terça-feira (9/6), quando a ministra Estela Aranha solicitou mais tempo para avaliar o caso. Com isso, a decisão individual do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, continua válida.
Não há prazo definido para a retomada do julgamento. Até que o processo volte à pauta, a pesquisa permanece suspensa e não pode ser divulgada pela AtlasIntel.
O que levou à suspensão da pesquisa?
O caso teve origem em uma representação apresentada pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro. A legenda argumenta que o questionário foi elaborado de forma a induzir respostas negativas sobre o senador.
Segundo o partido, diversas perguntas relacionadas ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro e a áudios vazados teriam criado um contexto capaz de influenciar a percepção dos entrevistados antes da aferição eleitoral.
Quais foram os argumentos de Kassio Nunes Marques?
Ao votar pela manutenção da suspensão, Kassio Nunes Marques afirmou que existem indícios de que o levantamento extrapolou a simples medição da opinião pública. Para ele, a sequência das perguntas pode ter influenciado as respostas dos participantes.
O ministro destacou ainda que a controvérsia envolve possível uso do questionário como mecanismo de indução. Segundo sua avaliação preliminar, expressões com carga negativa e a ordem dos questionamentos justificam a intervenção da Justiça Eleitoral.
Quais pontos da pesquisa foram questionados?
De acordo com a ação apresentada pelo PL, algumas etapas do questionário teriam construído uma narrativa desfavorável ao pré-candidato. Entre os principais pontos citados estão:
- Comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro;
- Questionamentos sobre fraude financeira;
- Perguntas envolvendo o Banco Master;
- Referências ao empresário Daniel Vorcaro;
- Menções a conversas vazadas;
- Possível impacto eleitoral sobre a candidatura;
- Hipóteses de enfraquecimento ou retirada da disputa.
O que disseram os demais ministros do TSE?
Durante a sessão, o ministro Dias Toffoli afirmou que pesquisas eleitorais deveriam medir a opinião pública e não influenciá-la. Ele ressaltou que o julgamento servirá para definir parâmetros aplicáveis a todos os candidatos e institutos.
Já o ministro André Mendonça destacou a responsabilidade dos institutos na preservação da imparcialidade e da lisura do processo eleitoral. Toffoli também chamou atenção para a necessidade de discutir o uso de vídeos em levantamentos eleitorais.
O que mostrou a pesquisa da AtlasIntel?
A pesquisa questionada ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O levantamento apontou queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.
A divulgação ocorreu após o vazamento de um áudio em que o senador apareceria solicitando recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro. A AtlasIntel afirma que respeita a decisão do TSE e sustenta que a metodologia adotada é técnica, transparente e está em conformidade com a legislação eleitoral.