Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que dois fatores específicos geraram forte irritação no Palácio do Planalto em relação ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no contexto das investigações envolvendo o caso Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O primeiro motivo seria a informação repassada por Wagner ao presidente de que não havia elementos que o comprometesse nas apurações envolvendo o grupo financeiro ligado a Vorcaro. No entanto, segundo relatos de bastidores, a investigação da Polícia Federal teria apontado indícios contrários ao que havia sido inicialmente comunicado ao Planalto, aumentando o desgaste interno.
O segundo ponto de incômodo foi uma entrevista concedida por Jaques Wagner à BandNews, na qual o senador comentou, sem alinhamento prévio, o telefonema recebido de Luiz Inácio Lula da Silva após ser citado em desdobramentos da investigação. Na mesma entrevista, Wagner afirmou que não deixaria a liderança do governo por iniciativa própria, apenas se houvesse determinação direta do presidente, o que teria gerado desconforto no Executivo.
A avaliação entre aliados do governo é de que o cenário político ficou mais delicado após a operação da Polícia Federal, que investiga supostos benefícios recebidos por Wagner. Entre as suspeitas estão a concessão de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, além de outras vantagens associadas ao grupo de Daniel Vorcaro.
Segundo a investigação, o senador teria admitido ter solicitado a um ex-sócio de Vorcaro a compra do imóvel, com a possibilidade de recompra posterior. Também são citados no inquérito supostos benefícios como uso de aeronaves particulares e ingressos para eventos internacionais, além de transferências financeiras envolvendo empresas ligadas ao núcleo familiar do parlamentar.
Uma empresa associada à família de Wagner teria recebido cerca de R$ 3 milhões de uma instituição financeira ligada ao mesmo grupo investigado, segundo a PF. Em meio à pressão, interlocutores do governo afirmam que há expectativa de uma reunião entre o senador e Lula, enquanto aliados avaliam a possibilidade de mudança na liderança do governo no Senado.
O caso segue em análise e ainda não há decisão oficial sobre eventual permanência ou saída de Wagner do posto.
