A nova fase da Operação Compliance Zero mudou o foco das investigações sobre o Banco Master ao apontar que o protagonismo do esquema pode não estar com Daniel Vorcaro, mas sim com o empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima.
Quem é apontado como o verdadeiro articulador do Banco Master?
Durante meses, Daniel Vorcaro foi tratado como a principal figura por trás da crise envolvendo o Banco Master. No entanto, documentos reunidos na Petição 16.201, sob relatoria do ministro André Mendonça, indicam um cenário diferente.
Segundo as investigações, Augusto Lima, além de sócio, exercia a função de CEO e seria o responsável por articular as estratégias financeiras, políticas e institucionais que sustentaram a expansão do banco.
Como Augusto Lima construiu uma rede de influência?
As informações extraídas do celular de Augusto Lima mostram contatos frequentes com integrantes dos Três Poderes, além de reuniões com o Banco Central e a contratação de ex-ministros para defender interesses do banco.
A investigação afirma que o empresário mantinha interlocução direta com o senador Jaques Wagner, além de atuar na aproximação com nomes como Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, buscando fortalecer a posição institucional do Banco Master. As informações são do colunista Claudio Dantas.
Qual o modelo investigado pela Polícia Federal?
As apurações descrevem uma série de operações financeiras e patrimoniais que, segundo a investigação, utilizavam empresas intermediárias e estruturas jurídicas para ocultar movimentações. Entre os principais pontos destacados estão:
- Compra de imóveis por meio da empresa Epítome S.A.
- Uso de expressões codificadas em conversas para tratar de valores financeiros.
- Transferência de R$ 3,5 milhões para empresa ligada à família de Jaques Wagner.
- Planilhas que registrariam mais de R$ 2,34 milhões destinados a pessoas ligadas ao senador por empresas intermediárias.
A fraude bilionária envolvendo carteiras de crédito
Outro eixo da investigação envolve a tentativa de venda de aproximadamente R$ 30 bilhões em carteiras de crédito ao BRB. Segundo a Polícia Federal, pelo menos R$ 12,12 bilhões desse montante seriam compostos por créditos considerados fraudulentos ou de difícil recuperação.
De acordo com a apuração, essas carteiras teriam sido estruturadas com base em operações ligadas a empresas da Bahia associadas a Augusto Lima, utilizando contratos relacionados ao crédito consignado de servidores públicos.
Como o Planalto aparece nas investigações?
As investigações também apontam uma intensa atuação política para viabilizar interesses do Banco Master junto ao governo federal. Segundo a PF, Augusto Lima teria buscado apoio em diferentes esferas da administração pública.
Entre as ações citadas estão o acompanhamento de propostas legislativas envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos, a contratação de consultorias de ex-integrantes do governo e uma reunião entre representantes do banco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros no fim de 2024, intermediada por Guido Mantega.
O que pode acontecer após a nova fase da operação?
A análise aprofundada dos dispositivos eletrônicos apreendidos elevou a importância de Augusto Lima dentro das investigações e ampliou o alcance das apurações sobre a atuação do Banco Master e suas relações políticas.
Até o momento, as informações fazem parte da investigação conduzida pelas autoridades competentes. Os fatos ainda poderão ser objeto de novas diligências, manifestações das defesas e eventual apreciação pelo Poder Judiciário ao longo do processo.