Areia dourada de um lado, água que brota do chão do outro: o Jalapão, no leste do Tocantins, parece um deserto que esconde nascentes. A região reúne dunas, cachoeiras e os famosos fervedouros em pleno cerrado preservado.
O fenômeno raro onde a gravidade parece não funcionar
A maior atração do Jalapão são os fervedouros, nascentes onde a água brota do subsolo com tanta pressão que empurra qualquer corpo para cima. O fenômeno, chamado ressurgência, torna impossível afundar e deixa o visitante flutuando sem esforço em piscinas de tons azul-turquesa.
Essa fartura de água em meio à paisagem árida tem explicação: sob a areia corre o Aquífero Urucuia, um dos maiores reservatórios subterrâneos do país. É ele que alimenta os fervedouros e rendeu à região o apelido de deserto das águas. Entre os mais procurados estão o Fervedouro Bela Vista e o do Ceiça.
Por que as dunas são chamadas de deserto do Jalapão?
As dunas douradas são o cartão-postal mais fotografado da região, com bancos de areia de quartzo que chegam a dezenas de metros de altura. Elas se formaram ao longo de milhares de anos pela erosão da Serra do Espírito Santo.
O pôr do sol no topo das dunas é o momento mais disputado do roteiro, quando a areia ganha tons alaranjados. A paisagem de cor de deserto em meio ao cerrado verde explica o apelido que acompanha o lugar.
O Jalapão, no extremo leste do Tocantins, transcende o status de destino turístico ao consolidar-se como uma aula viva de geografia e história. O canal Rolê Família (1,5M inscritos) mapeia essa expedição técnica e imersiva.
Quais cachoeiras e formações visitar?
O Jalapão é também terra de rios transparentes e cachoeiras de água fresca. As paradas se espalham por longas estradas de terra, o que faz da viagem parte da própria experiência.
- Cachoeira da Formiga: queda pequena com poço de água verde-esmeralda cristalina, uma das mais acessíveis perto de Mateiros.
- Cachoeira da Velha: a maior do parque, com cerca de 100 m de largura no Rio Novo, contemplada de mirante ou por rafting.
- Cânion Sussuapara: fenda estreita entre paredões de rocha, com luz filtrada e vegetação tomando as paredes.
- Pedra Furada: bloco de arenito com um furo esculpido pelo vento e pela chuva, moldura natural para fotos.
O capim que vira ouro nas mãos das comunidades
O Jalapão guarda um tesouro que nasce do próprio cerrado: o capim dourado, planta de brilho metálico transformada em joias e peças de decoração. O artesanato é a principal fonte de renda de comunidades quilombolas como a Mumbuca, em Mateiros.
As hastes só podem ser colhidas entre setembro e novembro, e apenas por associações cadastradas e autorizadas pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), órgão que administra o parque. A regra protege a planta e garante renda sustentável às famílias. O nome Jalapão, aliás, vem da flor jalapa-do-brasil, abundante na região.
Quando ir e o que o clima reserva no cerrado?
O clima é quente e marcado por duas estações bem definidas. A seca, de maio a setembro, é a melhor época para a expedição, com estradas firmes e céu aberto, enquanto a estação chuvosa dificulta o acesso às atrações.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para Mateiros. Condições podem variar.
Como chegar ao Jalapão
A porta de entrada é Palmas, capital do Tocantins, de onde são cerca de 300 km até Mateiros. O asfalto vai até Ponte Alta do Tocantins, e o restante é estrada de terra e areia que exige veículo 4×4. O acesso ao parque é controlado pelo Naturatins, e a maioria dos visitantes vai com agências e guias locais.
Venha flutuar nas águas do cerrado tocantinense
O Jalapão reúne dunas de areia dourada, rios transparentes e fervedouros que desafiam a lógica, tudo numa das maiores áreas de cerrado preservado do Brasil. Poucos destinos recompensam tanto cada hora de estrada de terra.
Você precisa conhecer o Jalapão e sentir o corpo boiar sozinho nas águas que brotam do meio do deserto tocantinense.