Em uma nova fase das negociações da sua delação premiada, Daniel Vorcaro passou a ser orientado a priorizar a devolução de valores ligados a fundos públicos de previdência que investiram no Banco Master, em meio às apurações da Polícia Federal.
Como a negociação da delação de Daniel Vorcaro avança?
As tratativas envolvendo a delação de Daniel Vorcaro seguem em andamento e passam por ajustes importantes no escopo do acordo. O foco atual está na definição de condições que possam viabilizar a aceitação dos termos pela Polícia Federal.
Segundo as investigações, a primeira proposta apresentada pela defesa não avançou, já que não trouxe elementos novos considerados relevantes para o inquérito. Agora, o objetivo é construir anexos mais robustos para reabrir o debate sobre a multa.
Por que a devolução de recursos dos fundos de previdência virou prioridade?
Dentro da estratégia de negociação, a orientação dada a Vorcaro é concentrar esforços na devolução de valores bilionários aplicados por fundos de previdência estaduais e municipais. A medida é vista como um ponto-chave para destravar o acordo.
A avaliação dos investigadores é que a reparação financeira pode ter mais peso do que outros elementos inicialmente apresentados. Por isso, a restituição dos recursos passou a ser tratada como prioridade no processo de delação.
Quais fundos previdenciários foram identificados nas investigações?
As apurações conduzidas pela Polícia Federal identificaram diversos fundos públicos que realizaram aportes no Banco Master. O maior volume concentra-se no Rio de Janeiro, mas outros estados e municípios também aparecem na lista.
Antes de detalhar os principais valores, é importante destacar que o levantamento do Ministério da Previdência Social aponta ao menos 18 fundos previdenciários envolvidos. Entre eles, há aplicações estaduais e municipais distribuídas em diferentes regiões do país. Entre os principais estão:
- Rioprevidência (RJ) com R$ 3,69 bilhões investidos
- Amapá com R$ 400 milhões
- Amazonas com R$ 50 milhões
- Diversos fundos municipais somando mais de R$ 1 bilhão em aplicações
Qual é o papel da PF e da PGR nas tratativas da delação?
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) são peças centrais na avaliação da delação de Vorcaro. Ambas as instituições precisam validar o conteúdo dos anexos apresentados para que o acordo avance.
Sem informações novas ou relevantes, as tratativas não evoluem para a definição da multa. Por isso, os investigadores exigem que os próximos documentos tragam elementos que possam contribuir diretamente para o aprofundamento das apurações.
Como será a nova fase da negociação da multa?
A expectativa é que o debate sobre a multa avance ainda na primeira dezena do mês, caso os novos anexos sejam concluídos dentro do prazo. A defesa solicitou duas semanas para organizar o material com o cliente.
Esse período é considerado decisivo para que o conteúdo apresentado consiga atender às exigências da investigação. Caso contrário, a negociação pode voltar a travar, como ocorreu na rodada anterior.