A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), em meio ao avanço das investigações sobre um suposto esquema financeiro bilionário.
Como a nova proposta de delação de Daniel Vorcaro chega à PF e PGR?
A nova versão da delação premiada foi entregue pela defesa de Daniel Vorcaro durante uma reunião realizada nesta segunda-feira com investigadores da Polícia Federal e representantes da PGR. O material inclui anexos que ainda receberam complementações nesta terça-feira (2/6).
A proposta marca a segunda tentativa formal da defesa de estabelecer um acordo de colaboração, após a primeira versão ter sido rejeitada. As informações são do jornal O Globo.
Como a primeira versão da delação foi rejeitada por inconsistências?
A primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro foi coordenada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, mas acabou sendo rejeitada pelos investigadores. Segundo apurações, o material foi considerado “inconsistente” e “omissivo”.
Os investigadores avaliaram que os anexos iniciais tinham mais caráter de defesa do banqueiro do que de colaboração efetiva. A percepção era de ausência de admissão clara de crimes e falta de elementos novos relevantes para as apurações.
PF e PGR exigem ampliação do escopo das investigações
Para avançar em um possível acordo, a PF e a PGR entendem que Vorcaro precisa ampliar o escopo das informações apresentadas, aprofundando detalhes sobre o funcionamento das fraudes atribuídas ao Banco Master.
Os investigadores também esperam a apresentação de provas concretas e a admissão das irregularidades, além de explicações sobre a movimentação de recursos. Antes de listar as principais exigências, os investigadores destacam pontos centrais considerados indispensáveis para a continuidade das negociações:
- Admissão explícita de irregularidades financeiras
- Detalhamento do fluxo de bilhões movimentados
- Esclarecimento sobre relações políticas citadas nas investigações
- Indicação de provas que sustentem novas linhas de apuração
- Informações sobre possíveis ativos ocultos no Brasil e no exterior
Como as investigações avançam enquanto acordo depende do STF?
Enquanto a delação não é concluída, a PF e a PGR continuam aprofundando as investigações sobre o caso envolvendo o Banco Master, liquidado pelo Banco Central. O processo depende ainda de eventual aprovação do Supremo Tribunal Federal (STF).
O ministro André Mendonça já sinalizou que só deverá validar um eventual acordo caso haja avanço substancial nas informações apresentadas. Entre os pontos em análise estão:
- Uso de oito celulares apreendidos com o banqueiro
- Cruzamento de dados com relatórios do Banco Central e Receita Federal
- Informações de inteligência financeira e investigações paralelas
- Apurações sobre possível desvio de recursos de fundos públicos e privados
Reuniões são ajustadas após análise de novos anexos
Um novo encontro entre defesa e investigadores estava previsto para esta quarta-feira, mas foi cancelado. A decisão ocorreu porque a PF solicitou mais tempo para analisar os anexos complementares enviados pela defesa.
A nova versão é vista como uma tentativa de superar a rejeição anterior. A equipe de Vorcaro passou recentemente a ser coordenada pelo criminalista Sérgio Leonardo, que assumiu a estratégia após mudanças internas na defesa.