A decisão de Moraes dá 15 dias para PGR analisar o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marca uma nova etapa da investigação conduzida pela Polícia Federal.
Por que Moraes enviou o caso para análise da PGR?
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o inquérito que investiga uma suposta calúnia praticada por Flávio Bolsonaro contra Lula.
Agora, a PGR terá 15 dias para decidir se apresenta denúncia ao STF, solicita novas diligências ou pede o arquivamento da investigação, já que o senador possui foro por prerrogativa de função.
Qual foi a decisão da Polícia Federal?
Após concluir as investigações, a Polícia Federal entendeu que houve crime de calúnia e indiciou o parlamentar. Segundo o relatório, a publicação feita por Flávio atribuiu falsamente crimes ao presidente da República.
De acordo com a PF, a mensagem publicada na rede social X associou Lula a delitos como tráfico internacional e lavagem de dinheiro, configurando, em tese, imputação falsa de crimes prevista no Código Penal.
O que motivou a investigação contra Flávio Bolsonaro?
A investigação teve origem em uma postagem publicada por Flávio Bolsonaro em 3 de janeiro, quando comentou informações relacionadas à captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas. Segundo a Polícia Federal, a publicação fazia referência direta ao presidente brasileiro. Entre os pontos destacados pela investigação estão:
- Tráfico internacional de drogas;
- Tráfico internacional de armas;
- Lavagem de dinheiro;
- Suporte a terroristas e ditaduras;
- Referência à possibilidade de colaboração premiada envolvendo Lula.
Qual foi o entendimento da Polícia Federal?
No relatório final, a PF afirma que a expressão utilizada pelo senador indica que Lula seria alvo de uma futura delação, instituto jurídico aplicado apenas a pessoas supostamente envolvidas em crimes.
Por esse motivo, os investigadores concluíram que houve falsa imputação de crimes ao presidente, enquadrando a conduta, em tese, no artigo 138, combinado com o artigo 141 do Código Penal.
Defesa de Flávio Bolsonaro contesta investigação
Os advogados do senador criticaram a conclusão da Polícia Federal e afirmaram que a investigação ocorreu sem a realização de diligências consideradas relevantes para o esclarecimento dos fatos.
A defesa também questionou a rapidez da apuração e declarou esperar que a instauração e a condução do procedimento não tenham sofrido influência de interesses políticos. A decisão final sobre os próximos passos caberá agora à Procuradoria-Geral da República.