O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), intensificou o andamento de duas das maiores investigações de corrupção em curso no país, envolvendo o Banco Master e o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.
Como as operações avançam em meio a cenário de pressão?
Nas últimas semanas, o ritmo das investigações aumentou significativamente. A movimentação ocorre enquanto crescem pressões nos bastidores para limitar o alcance de apurações que podem atingir políticos e autoridades influentes em Brasília.
Mesmo diante desse cenário, Mendonça tem adotado uma postura de cautela. O objetivo é garantir que as medidas tomadas resistam a futuras contestações jurídicas e não sejam anuladas por falhas processuais.
Caso Banco Master registra novas fases da investigação
Desde que assumiu a relatoria do caso no STF, em fevereiro, o ministro autorizou seis etapas da Operação Compliance Zero. As ações resultaram em prisões, buscas e bloqueios bilionários de recursos ligados aos investigados.
Somente em maio, quatro novas fases foram executadas. Entre os alvos estiveram o senador Ciro Nogueira, o ex-governador Cláudio Castro, familiares de investigados e pessoas suspeitas de atuar em vazamentos e obtenção ilegal de informações.
Quais medidas já foram adotadas no caso Master?
As ações autorizadas pelo STF demonstram a dimensão da investigação envolvendo o Banco Master e seus possíveis desdobramentos:
- 14 prisões preventivas
- 61 mandados de busca e apreensão
- Bloqueio superior a R$ 22 bilhões
- Diligências em sete estados e no Distrito Federal
- Investigação de supostos vazamentos de documentos sigilosos
As autoridades também apuram possíveis conexões entre operadores, intermediários e agentes públicos que teriam participado do esquema investigado.
Quais as determinações de André Mendonça no caso do INSS?
Outra frente que ganhou impulso foi a Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A mais recente fase ocorreu no fim de maio, alcançando quatro unidades da federação.
Por determinação de Mendonça, foram cumpridas 31 ordens de busca e apreensão, além do bloqueio de bens de entidades suspeitas. O monitoramento eletrônico de investigados também foi autorizado para ampliar a coleta de provas.
Como a estratégia busca evitar anulações futuras?
Uma das principais preocupações do ministro é impedir que as investigações enfrentem o mesmo destino de operações anuladas no passado por questões processuais. Por isso, cada medida tem sido adotada com atenção aos aspectos legais.
Dentro do STF, Mendonça busca apoio de colegas para sustentar suas decisões. Paralelamente, mantém interlocução próxima com equipes da Polícia Federal para reduzir vazamentos e evitar mudanças administrativas que possam interferir no andamento das apurações.
Quais os impactos da relação com a Polícia Federal?
Além do trabalho jurídico, o ministro acompanha de perto o desenvolvimento das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A intenção é preservar a integridade das operações e garantir o avanço das diligências.
Outro foco está na prevenção de manobras que possam favorecer investigados, incluindo tentativas de influenciar delações premiadas ou alterar equipes responsáveis pelos casos. Com isso, os inquéritos do Banco Master e do INSS seguem entre os temas mais sensíveis e relevantes atualmente em análise no STF.