O caso do homem acusado de desferir 61 socos contra a então namorada dentro de um elevador em Natal (RN) avançou para julgamento pelo Tribunal do Júri, após decisão da Justiça nesta terça-feira (23/6).
Por que o caso dos 61 socos vai a júri popular?
A Justiça do Rio Grande do Norte entendeu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para submeter o réu a julgamento popular. O acusado é Igor Eduardo Pereira Cabral, de 29 anos.
A decisão foi tomada pela 1ª Vara Criminal de Natal e determina que ele responda por tentativa de feminicídio qualificado, diante da extrema violência registrada no caso.
O que decidiu a Justiça do Rio Grande do Norte sobre o caso?
O Tribunal de Justiça do RN (TJRN) confirmou o entendimento de que o processo reúne elementos robustos para levar o réu ao Tribunal do Júri. A decisão de pronúncia foi baseada nas provas reunidas durante a investigação.
Segundo o juízo, as imagens de segurança e os depoimentos indicam que houve uma agressão contínua e brutal, o que reforça a gravidade da conduta atribuída ao acusado.
Como ocorreu a agressão registrada em elevador?
O crime aconteceu em julho de 2025, dentro de um elevador de um condomínio na zona sul de Natal. As câmeras de segurança registraram toda a ação, que teve grande repercussão nacional.
De acordo com as investigações, Igor teria encurralado a vítima e desferido sucessivos golpes na cabeça e no rosto, mesmo após ela cair e não conseguir mais se defender.
Quais foram as consequências para a vítima Juliana Soares?
A vítima, Juliana Soares, de 35 anos, sofreu lesões gravíssimas no rosto, com múltiplas fraturas e danos severos na estrutura facial. O caso exigiu atendimento médico de alta complexidade.
Entre os principais impactos da agressão, estão procedimentos cirúrgicos extensos e sequelas permanentes. Entre as consequências relatadas pela Justiça, destacam-se:
- Cirurgia de reconstrução facial com duração superior a nove horas
- Implantação de sete placas de titânio e 31 parafusos
- Desenvolvimento de paralisia facial periférica total no lado direito
- Sequela neurológica permanente
Por que o crime foi enquadrado como tentativa de feminicídio qualificado?
A acusação considera que houve intenção de matar, ainda que o resultado não tenha sido consumado, caracterizando tentativa de feminicídio qualificado. A violência empregada foi um dos principais elementos da denúncia.
A Justiça também destacou que os golpes foram concentrados na região da cabeça e do rosto, com uso da estrutura do elevador para potencializar a força das agressões, o que elevou a gravidade do caso.
O que acontece agora com o réu Igor Eduardo Pereira Cabral?
Igor foi preso em flagrante logo após o crime, sendo contido por moradores do condomínio até a chegada da Polícia Militar, acionada pelo porteiro que acompanhava as imagens das câmeras.
Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. Em agosto de 2025, ele virou réu formalmente e segue preso enquanto aguarda o julgamento pelo Tribunal do Júri, que ainda não tem data definida.