O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou que o Brasil teria praticado concorrência desleal na exportação de carne bovina para a China, em meio a uma investigação sobre trabalho forçado e práticas comerciais globais.
O que diz o relatório dos EUA sobre a carne bovina brasileira?
O documento do USTR afirma que seria “fato notório” o uso de trabalho forçado na produção de gado no Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de carne bovina congelada. O órgão aponta que isso poderia afetar diretamente a competitividade internacional do setor.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a prática teria contribuído para distorções no comércio global, especialmente nas vendas destinadas à China, principal destino da carne brasileira.
Como cresceram as exportações de carne bovina do Brasil para a China?
Os dados citados pelo USTR indicam um crescimento expressivo nas exportações brasileiras entre 2015 e 2025. No período, o volume total de carne bovina congelada quase dobrou em relação a outros mercados investigados.
O avanço mais significativo ocorreu na relação com a China, onde as exportações do Brazil saltaram de 94 mil para cerca de 1,65 milhão de toneladas métricas. Entre os principais números destacados pelo relatório estão:
- Crescimento de mais de 17 vezes nas exportações para a China
- Alta expressiva nas vendas globais de carne bovina congelada
- Estagnação relativa das exportações dos United States
- Tendência de queda da participação americana no mercado chinês
Por que os Estados Unidos falam em concorrência desleal?
O USTR argumenta que a possível presença de trabalho forçado na cadeia produtiva brasileira teria reduzido custos e ampliado a competitividade do país no mercado internacional. Isso, segundo o órgão, configuraria uma forma de concorrência desleal.
O relatório também critica a postura da China, que não teria restringido adequadamente a entrada desses produtos, mesmo diante das suspeitas levantadas.
Qual é o impacto na disputa comercial entre EUA e Brasil?
O governo americano avalia que a expansão das exportações brasileiras teria ocorrido em detrimento dos produtos dos United States, que registraram crescimento bem mais modesto no período analisado.
Segundo o relatório, mesmo com outros fatores de mercado, os EUA poderiam ter obtido melhores resultados se as condições de competição fossem consideradas mais equilibradas.
Quais medidas podem ser tomadas após a investigação do USTR?
O documento divulgado na terça-feira (2/6) pode servir de base para novas decisões comerciais da Casa Branca, incluindo a aplicação de tarifas adicionais. Entre as possibilidades está uma taxa de até 12,5% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil.
Além disso, o relatório se conecta a outra recomendação recente que sugere uma tarifa de 25% com base na Seção 301, que acusa o Brasil de adotar práticas que prejudicam o comércio dos Estados Unidos. Diante desse cenário, possíveis desdobramentos incluem:
- Imposição de novas tarifas comerciais sobre a carne bovina brasileira
- Ampliação de investigações sobre cadeias produtivas do setor agropecuário
- Aumento da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos
- Revisão de regras de importação no mercado norte-americano
O que pode acontecer com o comércio global de carne bovina?
A investigação do USTR reforça um ambiente de incerteza no comércio internacional de proteínas, especialmente entre grandes exportadores e importadores globais.
Caso novas tarifas sejam aplicadas, analistas apontam que pode haver reconfiguração de fluxos comerciais, afetando diretamente países como o Brazil e o equilíbrio de preços no mercado global de carne bovina.