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Início Economia

Emissoras de TV disparam em faturamento durante o governo Lula

Por Junior Melo
04/jun/2026
Em Economia
Emissoras de TV disparam em faturamento durante o governo Lula

Lula e William Bonner - Foto: Globo

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O retorno de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto também trouxe mudanças significativas na distribuição das verbas publicitárias federais para a televisão, beneficiando algumas emissoras e reduzindo a participação de outras.

Como o governo Lula amplia gastos com publicidade na televisão?

Entre janeiro de 2023 e maio de 2026, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) destinou quase R$ 500 milhões para campanhas veiculadas na TV. O montante representa um crescimento expressivo em comparação ao governo anterior.

Nos quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro, o investimento em publicidade televisiva somou R$ 342,8 milhões. Com Lula, o aumento chegou a 46%, evidenciando uma ampliação dos recursos direcionados ao setor.

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Globo lidera faturamento e quase triplica receitas

A TV Globo e suas afiliadas foram as maiores beneficiadas pela nova distribuição de verbas federais. Desde 2023, o grupo recebeu aproximadamente R$ 228,9 milhões, equivalente a quase metade de todo o investimento realizado na televisão.

O valor representa um salto de 173,8% em relação ao período de Bolsonaro, quando a emissora faturou R$ 83,6 milhões. Com isso, a Globo retomou a liderança isolada no ranking de receitas publicitárias do governo federal.

Quais emissoras mais cresceram durante a atual gestão?

Além da Globo, outras redes registraram crescimento relevante nos contratos firmados com a Secom. Algumas delas tiveram aumentos percentuais expressivos nos últimos três anos e meio. Veja a lista:

  • Globo: R$ 228.892.223,58 (+173,8%)
  • Record: R$ 111.755.304,83 (+19,5%)
  • SBT: R$ 65.660.329,09 (-19,0%)
  • Band: R$ 38.219.411,32 (+29,1%)
  • RedeTV: R$ 9.705.851,34 (-12,8%)
  • CNN Brasil:  R$ 3.532.518,32 (+187%)
  • Turner: R$ 3.519.306,64 (-38,0%)
  • EBC: R$ 3.318.307,43 (+44,9%)
  • TV Cultura: R$ 2.686.209,23 (+334,0%)
  • CNT: R$ 1.145.034,71 (+78,1%)
  • Fundação Casper Libero: R$ 845.006,38 (+9,2%)
  • Jovem Pan: R$ 666.879,02 (-40,6%)
  • Sony: R$ 641.762,18 (-48,7%)
  • Canção Nova: R$ 471.221,38 (-55,1%)
  • Disney: R$ 470.614,04 (-56,8%)
  • Discovery: R$ 450.812,12 (-77,4%)
  • Sara Nossa Terra: R$ 444.193,04 (-65,0%)
  • Boa Vontade: R$ 355.681,97 (-60,4%)
  • Evangelizar: R$ 294.897,60 (-70,0%)
  • União: R$ 276.605,54 (-51,4%)
  • Nova Brasil: R$ 185.866,83 (+159,7%)
  • Olé: R$ 163.895,50 (+425,8%)
  • Mix: R$ 144.880,00 (-)
  • Trip: R$ 106.921,44 (+49,4%)
  • Fundação Nazaré: R$ 96.178,61 (-5,4%)
  • Gazeta: R$ 72.245,32 (+771,7%)
  • Feliz: R$ 34.376,49 (+4,6%)
  • Milícia Da Imaculada: R$ 24.057,60 (+16,9%)
  • O Povo: R$ 4.125,89 (-92,8%)

Record mantém força mesmo após mudança de governo

Considerada uma das emissoras mais favorecidas durante a gestão Bolsonaro, a Record continuou recebendo valores elevados sob Lula. A rede acumulou mais de R$ 111,7 milhões em contratos desde o início de 2023.

O resultado representa um crescimento de quase 20% sobre os R$ 93,5 milhões obtidos entre 2019 e 2022. Apesar da troca de governo, a emissora permaneceu entre as maiores beneficiárias da publicidade oficial.

Quais os impactos para SBT e Jovem Pan?

Nem todas as empresas de comunicação conseguiram ampliar receitas com a mudança de governo. O SBT, por exemplo, recebeu R$ 65,6 milhões desde 2023, mas registrou queda de 19% em comparação ao período anterior.

A situação foi ainda mais significativa para a Jovem Pan, que viu seus contratos recuarem 40,6%, passando de cerca de R$ 1,1 milhão para R$ 666 mil. Outras empresas, como Discovery, Disney, Canção Nova e Sara Nossa Terra, também tiveram retração nos valores recebidos.

Mudança na distribuição de recursos redesenha o mercado

Os dados mostram que o aumento das verbas não foi o único fator relevante nos últimos anos. Houve também uma alteração importante no direcionamento dos investimentos entre os diferentes grupos de mídia.

Enquanto emissoras que tiveram forte participação durante o governo Bolsonaro perderam espaço, outras que recebiam menos recursos voltaram a registrar crescimento significativo. O resultado foi uma nova configuração no mercado de publicidade federal destinado à televisão brasileira.

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