A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou o delegado da Polícia Federal Lorenzo Martins Pompílio da Hora a 10 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, o policial recebeu um veículo Ford Fusion Titanium, avaliado em cerca de R$ 70 mil à época dos fatos, como propina para interferir em uma investigação policial.
A condenação é resultado de um dos desdobramentos da Operação Tergiversação, que apurou a atuação de uma organização criminosa instalada dentro da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro.
Veículo teria sido usado como pagamento de propina
De acordo com as investigações, o automóvel foi oferecido ao delegado em troca de favorecimentos relacionados a procedimentos investigativos. A Justiça entendeu que houve utilização da influência do cargo para beneficiar interesses particulares, configurando o crime de corrupção passiva.
Além da condenação por corrupção, o magistrado reconheceu a prática de lavagem de dinheiro para ocultar a origem ilícita da vantagem recebida.
Advogado e motorista também foram condenados
No mesmo processo, o advogado Marcelo Guimarães, apontado como responsável por oferecer o veículo ao delegado, e o motorista Luis Henrique do Nascimento Almeida também foram condenados.
Ambos receberam penas de três anos de reclusão. No entanto, por terem firmado acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF), as punições foram convertidas em prestação de serviços à comunidade.
Esquema atuava dentro da PF, diz investigação
Segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, a organização criminosa investigada pela Operação Tergiversação atuou entre os anos de 2013 e 2017.
As apurações indicaram que integrantes do grupo abordavam empresários investigados ou mencionados em inquéritos policiais para exigir pagamentos em troca de proteção, favorecimentos ou interferência em investigações.
De acordo com os investigadores, o esquema utilizava a estrutura e a influência de agentes públicos para obter vantagens financeiras ilícitas.
Caso é um dos principais desdobramentos da operação
A condenação de Lorenzo Martins Pompílio da Hora representa um dos principais resultados judiciais da Operação Tergiversação, que revelou suspeitas de corrupção envolvendo servidores ligados à Polícia Federal no Rio de Janeiro.
O caso reforça o combate a práticas ilícitas dentro da administração pública e evidencia a atuação dos órgãos de controle na apuração de denúncias envolvendo agentes responsáveis pela aplicação da lei.
A defesa dos condenados ainda poderá recorrer da decisão nas instâncias superiores.