A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo instaurou uma investigação contra o hacker Patrick Brito, que negocia um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF) para relatar um suposto esquema de espionagem envolvendo policiais civis.
O procedimento foi aberto em abril e tramita sob segredo de Justiça. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, Patrick é investigado por suposta coação no curso do processo, após o envio de mensagens consideradas ameaçadoras a integrantes da cúpula da pasta.
Entre as mensagens atribuídas ao hacker, uma fazia referência ao retorno do delegado Carlos Henrique Cotait ao comando da Deic de Araçatuba e mencionava a existência de informações que poderiam atingir o governador Tarcísio de Freitas.
Patrick Brito vive atualmente na Sérvia e, desde o último dia 12 de junho, integra a lista de difusão vermelha da Interpol. Ele tenta evitar a extradição para o Brasil.
O hacker afirma que foi recrutado por integrantes da Polícia Civil para invadir aparelhos eletrônicos de investigados e obter provas de forma ilegal. Segundo seu relato, ele teria recebido dinheiro para realizar os serviços e colaborado com a equipe do delegado Carlos Henrique Cotait em diferentes investigações.
As acusações surgiram após a invasão do celular do médico Franklin Cangussu Sampaio, investigado na Operação Raio-X. De acordo com Patrick, informações fornecidas por policiais teriam sido utilizadas para acessar o aparelho. Ele também afirma que orientações foram repassadas pela então investigadora Cindy Orsi Nozu, atualmente delegada da Polícia Federal.
Conforme documentos apresentados pelo hacker, policiais teriam solicitado levantamentos de informações sobre investigados, incluindo pessoas ligadas ao ex-governador Márcio França. As acusações, no entanto, ainda são objeto de apuração e não houve decisão judicial confirmando a veracidade dos fatos narrados.