A investigação do Ministério Público de São Paulo aponta que a influenciadora e advogada Deolane Bezerra teria sido citada em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, com planos de expansão financeira internacional envolvendo Dubai.
O que a investigação aponta sobre o plano internacional ligado ao PCC?
Segundo a Justiça de São Paulo, a investigação indica que o grupo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) estruturava uma estratégia de expansão patrimonial para o exterior. Nesse contexto, Deolane Bezerra teria sido apontada como peça relevante no esquema.
A decisão judicial afirma que havia um plano de reorganização de empresas vinculadas ao grupo criminoso para transferência de ativos ao exterior, especialmente para os Emirados Árabes Unidos, com foco em estruturas financeiras internacionais. As informações são do g1.
Como funcionaria o suposto esquema de lavagem de dinheiro em Dubai?
De acordo com o Ministério Público, o objetivo seria utilizar mecanismos financeiros internacionais para ocultação e movimentação de valores ilícitos. Dubai aparece na investigação como possível destino estratégico por seu ambiente corporativo.
O relatório cita o uso de estruturas conhecidas como shell companies (empresas de fachada), que poderiam facilitar a ocultação de origem dos recursos e dificultar o rastreamento de patrimônio. Entre os métodos investigados estão práticas típicas de lavagem de dinheiro, como:
- Pulverização de depósitos bancários
- Uso de laranjas para movimentações financeiras
- Inconsistências em declarações fiscais
Quais movimentações financeiras são atribuídas à influenciadora?
Relatórios de inteligência financeira citados na decisão judicial apontam que Deolane Bezerra teria movimentado cerca de R$ 27 milhões em suas contas bancárias ao longo do período investigado. A análise também indica que parte dessas transações apresentaria padrões considerados atípicos pelas autoridades, reforçando suspeitas de origem ilícita dos valores.
Segundo o Ministério Público, os repasses teriam origem em uma transportadora de cargas controlada pelo PCC, sediada em Presidente Venceslau (SP), com atuação de operadores financeiros ligados à facção.
Quais bens foram bloqueados pela Justiça durante a operação?
Como parte das medidas judiciais, a Justiça determinou o sequestro de bens de alto valor ligados à investigada, incluindo veículos registrados em seu nome ou em empresas associadas.
A decisão inclui itens de luxo apreendidos ou bloqueados durante a investigação, reforçando o avanço das medidas patrimoniais no caso. Entre os principais bens listados estão:
- Lamborghini Huracán
- Mercedes-Benz AMG G63
- Cadillac Escalade
Quem são os outros réus no caso e qual a situação da prisão?
Além de Deolane Bezerra, a Justiça também tornou réus nomes ligados à estrutura investigada, incluindo membros da família Herbas Camacho, associada a lideranças do PCC.
Entre os réus estão Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola), além de Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa. A influenciadora está em prisão preventiva desde 21 de maio de 2026, na unidade de Tupi Paulista (SP), enquanto o processo segue em andamento.
O que diz a defesa de Deolane Bezerra sobre as acusações?
A defesa da influenciadora afirma que não há vínculo com o crime organizado e que todos os rendimentos têm origem lícita e devidamente declarada às autoridades fiscais. Os advogados também destacam que irão utilizar todos os meios legais para contestar as acusações e demonstrar a inocência da cliente ao longo do processo.
Segundo a nota, a equipe jurídica reforça que não existe prova de participação em atividades criminosas e que as imputações serão combatidas durante a fase de instrução processual, quando serão apresentadas as provas e testemunhos.