Ao deixar a presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Herman Benjamin fez um balanço dos dois anos em que esteve à frente da Corte, período marcado por turbulências e casos envolvendo integrantes do Judiciário.
Entre os episódios de maior repercussão estão as investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais, revelado em 2024, e o afastamento do ministro Marco Buzzi, acusado de assédio sexual.
Ao comentar o caso envolvendo Buzzi, Herman Benjamin afirmou que a situação teve impacto pessoal e institucional. “É muito difícil julgar um colega […]. No plano pessoal, é um processo doloroso”, declarou.
O ministro também falou sobre as investigações relacionadas à suposta venda de decisões judiciais. Segundo ele, o procedimento permanece travado em razão de uma investigação que ainda está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Crise de confiança
Durante o balanço de sua gestão, Herman Benjamin também lamentou a redução da confiança da população no Poder Judiciário.
Para o ministro, é necessário discutir mecanismos que aumentem a transparência e estabeleçam parâmetros de conduta para integrantes das cortes superiores. Nesse contexto, defendeu uma “discussão adulta” sobre a criação de um código de ética específico para a cúpula da magistratura.
A proposta busca estabelecer regras mais claras para a atuação de ministros dos tribunais superiores e pode ampliar o debate sobre transparência, responsabilidade e controle ético no Judiciário.
Ao encerrar o mandato na presidência do STJ, Herman Benjamin deixa como um dos principais desafios para a Corte a recuperação da confiança pública em meio a investigações e questionamentos envolvendo a própria magistratura.
