Ao descer a Serra do Mar, o caminho em direção a Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, revela uma das transições mais marcantes do estado: da mata fechada ao litoral recortado por enseadas. O município reúne oficialmente cerca de 102 praias, distribuídas ao longo de mais de 80 km de costa, o que faz do destino um dos mais diversos do litoral brasileiro em paisagens e experiências.
Um território onde a história indígena e colonial se encontra
Muito antes de se tornar destino turístico, Ubatuba foi cenário de um dos episódios mais simbólicos da história do Brasil colonial. Em 1563, o local foi palco das negociações conduzidas pelos padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega com os Tupinambás liderados por Cunhambebe, resultando no chamado Tratado de Paz de Iperoig, considerado o primeiro acordo de paz das Américas. Durante esse período, Anchieta permaneceu em cativeiro e teria escrito o famoso Poema à Virgem na Praia do Cruzeiro.
A origem do nome também reforça a ligação com os povos indígenas, vindo do tupi e associado a expressões como “lugar de muitas canoas”. Fundada oficialmente em 1637, a cidade ainda viveu um ciclo econômico importante no século XIX, quando seu porto chegou a superar o de Santos no escoamento do café do Vale do Paraíba, antes de se consolidar como um dos principais destinos turísticos do litoral paulista, segundo a Prefeitura de Ubatuba.
Quais praias valem a viagem no litoral norte?
Com 102 faixas de areia distribuídas entre as regiões sul, centro e norte, Ubatuba tem opções para todo perfil de viajante. O ideal é dedicar pelo menos um dia a cada região para evitar longos deslocamentos pela Rio-Santos.
- Praia de Itamambuca: palco de campeonatos internacionais de surfe, com encontro de rio e mar emoldurado pela mata.
- Praia do Félix: enseada de águas calmas com piscinas naturais entre as rochas. Acesso a trilhas para praias vizinhas.
- Praia do Prumirim: águas verdes e transparentes, com passeio de barco até a ilha e cachoeira de mesmo nome.
- Domingas Dias: mar raso e calmo, cercado de verde, perfeita para famílias com crianças.
- Praia da Fortaleza: boa infraestrutura de quiosques e acesso fácil pela rodovia, com piscinas naturais na maré baixa.
Para quem busca praias quase desertas, a região norte guarda tesouros como Puruba, onde é preciso atravessar um rio para chegar à faixa de areia, e a Praia Brava da Fortaleza, acessível por trilha curta.
O vídeo é do canal Rolê Família, com mais de 70 mil inscritos, e apresenta um roteiro de 3 dias, destacando a Ilha das Couves, a Gruta que Chora e a famosa trilha das Sete Praias:
Ubatuba e o nascimento da Capital do Surfe no Brasil
O título de Capital do Surfe atribuído a Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, não é apenas simbólico. Ele está ligado à consolidação de uma cultura esportiva que começou a ganhar força em 1967, quando os irmãos Paulo e Ricardo Issa introduziram o surfe no município, abrindo caminho para a formação de uma das cenas mais tradicionais do esporte no país.
Ondas, formação esportiva e nomes que projetaram a cidade
A estrutura do surfe em Ubatuba começou a se organizar em 1972, quando Paulo Issa fundou a primeira associação do esporte na cidade e promoveu o primeiro festival brasileiro da modalidade. Desde então, o município passou a formar gerações de atletas e revelou nomes de destaque internacional, como Filipe Toledo, referência no circuito mundial e orgulho local segundo registros da prefeitura.
As praias da região reforçam essa vocação esportiva, com destaque para a Praia Grande, no centro, e Itamambuca, ao norte, consideradas os principais picos de surfe da cidade. Além disso, a escolinha municipal de surfe, em atividade desde 1995, atende centenas de alunos na Praia Grande e no Perequê-Açu, consolidando Ubatuba como um dos polos mais importantes do surfe brasileiro.
Ilha Anchieta e a mata que cobre 80% da cidade
Mais de 80% do território de Ubatuba está dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, com mais de 47 mil hectares de Mata Atlântica preservada. A cidade abriga ainda o Parque Nacional da Serra da Bocaina ao norte e o Parque Estadual da Ilha Anchieta, antigo presídio de segurança máxima transformado em reserva ambiental.
- Ilha Anchieta: sete praias de águas cristalinas, trilhas históricas pelas ruínas do presídio e base do Projeto Tamar. Limite de 1.020 visitantes por dia.
- Ilha das Couves: acesso controlado (máximo 531 pessoas/dia), ideal para mergulho livre em águas transparentes.
- Núcleo Picinguaba: trilhas na mata, imersão na cultura caiçara e acesso a praias selvagens no extremo norte.
- Cachoeira do Prumirim: queda d’água cercada de vegetação densa, a poucos minutos da praia homônima.
O Projeto Tamar mantém em Ubatuba sua primeira base instalada em área de alimentação de tartarugas marinhas no litoral brasileiro. O centro de visitantes recebe cerca de 100 mil pessoas por ano.
O que comer entre uma praia e outra?
A culinária caiçara conduz a gastronomia local. Os restaurantes à beira-mar servem peixes frescos desembarcados no Mercado de Peixes, na barra da lagoa.
- Azul Marinho: peixe cozido com banana-verde e pirão, receita caiçara que aparece nos cardápios mais tradicionais.
- Peixe na folha de bananeira: filé grelhado envolvido na folha, servido com farofa de banana.
- Pastel de camarão: encontrado em barracas de praia e na feira do centro.
A Rua Guarani, no bairro Itaguá, concentra restaurantes, bares e sorveterias. É o ponto de encontro noturno dos visitantes.
Quando o tempo ajuda e quando vem a Ubachuva?
O apelido carinhoso de “Ubachuva” não surgiu por acaso. O clima tropical úmido garante chuvas frequentes, sobretudo no verão. A melhor janela para visitar é entre abril e setembro, quando o tempo firme revela o litoral em sua melhor forma.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao litoral norte paulista?
Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, está a cerca de 220 km da capital paulista e aproximadamente 320 km do Rio de Janeiro, sendo um dos destinos mais acessíveis da região para quem viaja de carro. O trajeto mais utilizado a partir de São Paulo segue pela Rodovia Presidente Dutra até Taubaté, com descida da serra pela SP-125 (Rodovia Oswaldo Cruz), em uma viagem que dura cerca de 3h30 fora da alta temporada.
Rotas alternativas e acesso por transporte público
Outra opção bastante comum é seguir pela Rodovia dos Tamoios (SP-099) até Caraguatatuba, continuando depois pela Rodovia Rio-Santos, trecho conhecido pelas paisagens litorâneas ao longo do caminho. Para quem prefere ônibus, há partidas regulares do Terminal Tietê, operadas pela empresa Pássaro Marron, com tempo médio de viagem em torno de 4h30, variando conforme o trânsito e a época do ano.
Ubatuba também conta com acessos bem conectados para quem chega das cidades vizinhas do litoral norte, tornando a região um dos destinos mais visitados do estado em feriados e temporadas de verão.