O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta quinta-feira (25) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal para uma cela no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A decisão foi tomada após a rejeição da segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro. Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) entenderam que as informações oferecidas pelo investigado se limitavam a fatos já conhecidos pelas autoridades durante as apurações da Operação Compliance Zero.
Com a transferência, Vorcaro passará a cumprir prisão em uma área conhecida como Papudinha, localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O local já abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro antes de sua transferência para o regime domiciliar. Segundo informações do processo, não haverá qualquer contato entre os dois.
Preso desde o dia 4 de março, Daniel Vorcaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, ameaças, invasão de dispositivos informáticos e obstrução de investigações. Um dos focos da apuração também envolve a rede de relacionamentos construída pelo ex-banqueiro com autoridades dos mais diversos setores da política nacional.
As investigações já alcançaram nomes importantes do cenário político brasileiro, entre eles os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner, que foram citados em diferentes fases da operação. Segundo os investigadores, os contatos atribuídos a Vorcaro ultrapassavam divisões partidárias e envolviam integrantes tanto da oposição quanto da base governista.
Durante as negociações para um possível acordo de delação premiada, Vorcaro promoveu mudanças sucessivas em sua equipe jurídica. O criminalista Roberto Podval deixou a defesa em meio a divergências relacionadas à estratégia de colaboração. Posteriormente, após a rejeição da primeira proposta de delação, o advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, também se desligou do caso. Atualmente, a defesa é conduzida pelo advogado mineiro Sérgio Leonardo.
O caso também provocou tensões dentro do Supremo Tribunal Federal. A concentração dos processos relacionados ao Banco Master no gabinete de André Mendonça gerou desconforto entre integrantes da Corte, especialmente o decano, Gilmar Mendes.
O embate entre os ministros ganhou visibilidade nos últimos dias. Enquanto Gilmar Mendes participou da análise que manteve as prisões de Henrique e Felipe Vorcaro, respectivamente pai e primo do ex-banqueiro, André Mendonça decidiu retirar o sigilo de centenas de páginas relacionadas ao caso.
Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Gilmar Mendes criticou a condução de parte das negociações envolvendo a possível colaboração premiada de Vorcaro. O ministro afirmou que a atuação atribuída a Mendonça representaria um desvio das funções do magistrado e comparou aspectos do caso aos debates sobre excessos ocorridos durante a Operação Lava Jato.
A transferência de Daniel Vorcaro para a Papudinha reduz, ao menos por enquanto, a possibilidade de uma nova tentativa de acordo de delação premiada, enquanto as investigações seguem em andamento sob supervisão do STF.