A sucessão de derrotas de governos em exercício vem se tornando um padrão cada vez mais frequente na América Latina, independentemente da orientação ideológica dos partidos no poder. Crises econômicas, descrença nas instituições e a influência das redes sociais têm contribuído para ciclos políticos mais curtos e instáveis na região.
O fenômeno foi reforçado pela recente eleição do outsider de extrema direita Abelardo de la Espriella na Colômbia, que venceu o candidato governista no pleito mais recente e ampliou o debate sobre a instabilidade política no continente.
Segundo levantamento citado por analistas, 20 dos últimos 24 processos eleitorais presidenciais na América Latina terminaram com a derrota do grupo político que ocupava o poder.
Eleitorado mais impaciente e menos fiel a partidos
Especialistas apontam que a lógica de alternância na região mudou ao longo dos anos. Se antes as disputas eram marcadas principalmente por diferenças ideológicas entre esquerda e direita, hoje o fator decisivo estaria mais ligado à insatisfação com resultados concretos dos governos.
A avaliação é de que há um eleitorado mais impaciente, com menor fidelidade partidária e maior disposição para trocar rapidamente de governantes diante de crises econômicas e sociais.
Redes sociais amplificam insatisfação
Outro fator apontado é o papel das redes sociais, que aceleram a circulação de críticas e ampliam discursos de contestação aos governos em exercício. Esse ambiente digital também contribuiria para a erosão da confiança nas instituições políticas.
Para a pesquisadora colombiana Julia Zulver, especialista em mobilização política e violência na América Latina, a combinação de crises simultâneas e frustração com promessas não cumpridas tem impulsionado mudanças frequentes no poder.
“As pessoas estão sofrendo múltiplas crises ao mesmo tempo e procuram soluções rápidas”, afirmou. “Elas perderam a confiança nos políticos e utilizam o voto para castigar governos que não entregam resultados.”