Um orelhão gigante e um semáforo fora de escala recebem quem chega à praça central de Itu, no interior de São Paulo. A poucos passos dali, casarões coloniais e igrejas barrocas revelam uma “cidade dos exageros ” de mais de quatro séculos. Por trás da brincadeira dos objetos gigantes, a cidade guarda o sobrado onde nasceu o movimento que mudaria o regime do país.
Como uma piada de TV virou a marca da cidade
O apelido de cidade dos exageros nasceu nos anos 1960, com o humorista ituano Francisco Flaviano de Almeida, o caipira Simplício do programa Praça da Alegria, da extinta TV Tupi. Em cada quadro, ele garantia que em Itu tudo era maior do que na capital.
A brincadeira viralizou muito antes da internet e a cidade abraçou o título. Hoje a Praça Padre Miguel, diante da Igreja Matriz, exibe o famoso orelhão de cerca de três metros e um semáforo gigante que funciona de verdade, regulando o trânsito apesar do tamanho. Mais adiante, a Praça dos Exageros reúne esculturas enormes que renderam fotos divertidas a gerações de visitantes, todas catalogadas pelo portal oficial de Turismo de Itu.
O sobrado onde a República brasileira começou
Sob a fama bem-humorada, Itu carrega um peso histórico raro. Em 18 de abril de 1873, mais de cem fazendeiros e políticos se reuniram em um sobrado do centro e fundaram o Partido Republicano Paulista, no encontro que ficou conhecido como Convenção de Itu.
O evento foi um dos primeiros passos concretos rumo à Proclamação da República, em 1889, e rendeu à cidade o título de berço da República. O casarão hoje abriga o Museu Republicano Convenção de Itu, unidade do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), com a sala da convenção preservada e entrada gratuita.
Itu, no interior de São Paulo, consolida-se como um polo de turismo cênico e histórico, explorando a própria fama de “cidade dos exageros”. O canal 2 no Rolê (1,1k inscritos) mapeia esse destino com roteiros práticos.
O que ver no Parque do Varvito e no centro histórico?
A cerca de poucos minutos do centro, o Parque do Varvito guarda rochas sedimentares de aproximadamente 280 milhões de anos, formadas durante uma era glacial. As formações foram tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) e a entrada é gratuita.
- Parque do Varvito: paredões geológicos com trilhas, cachoeira e anfiteatro a céu aberto, uma aula de geologia ao ar livre.
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária: templo do século XVIII com um dos principais acervos barrocos do estado.
- FAMA Museu: antiga fábrica têxtil de 1911 com cerca de 2 mil obras de arte moderna e contemporânea.
- Trem Republicano: passeio de cerca de 7 km entre Itu e Salto, com guias contando a história da Convenção.
Onde comer a gastronomia ituana
A mesa de Itu mistura raízes caipiras com heranças italianas e portuguesas. O prato-símbolo da cidade é o filé à parmegiana, disputado por vários restaurantes do centro.
- Filé à parmegiana: carne empanada coberta de molho e queijo, servida em porções generosas fiéis à fama da cidade.
- Comida caipira: pratos de raiz do interior paulista, com mandioca, frango e doces caseiros.
- Cafés e confeitarias: boa parada no centro histórico para um doce entre uma atração e outra.
Quando ir e o que o clima reserva no interior paulista?
Itu fica a quase 600 metros de altitude e tem clima tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos e amenos. O período de maio a setembro é o mais confortável para caminhar pelo centro histórico.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Itu
Itu fica a cerca de 100 km de São Paulo, viagem de aproximadamente 1h30 de carro. De Campinas são apenas 55 km, o que torna a cidade um bate-volta fácil a partir das duas maiores regiões do estado.
Venha ver onde tudo é grande de verdade
Itu reúne objetos gigantes que viraram piada nacional, um centro histórico de quatro séculos e o lugar exato onde a República brasileira começou a tomar forma. Poucas cidades do interior paulista juntam tanto bom humor e tanta história.
Você precisa conhecer Itu e tirar a foto clássica ao lado do orelhão gigante antes de entrar no sobrado que mudou a história do Brasil.