O aroma de chope artesanal e o som de bandas bávaras saem do Parque Vila Germânica e tomam conta das ruas de Blumenau todo mês de outubro. A cidade catarinense do Vale do Itajaí é a Capital Nacional da Cerveja por lei federal e guarda uma herança alemã que vai muito além da bebida.
Como 17 imigrantes criaram uma cidade alemã no Brasil
Em 2 de setembro de 1850, o químico e farmacêutico alemão Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau chegou ao vale do Rio Itajaí-Açu acompanhado de outros 17 colonos. A missão era fundar uma colônia agrícola em plena Mata Atlântica catarinense. Deu tão certo que a cidade acabou levando o nome do fundador.
O traçado original seguia os rios e ribeirões da região. Décadas depois, vieram imigrantes italianos, poloneses e portugueses, mas a identidade germânica ficou: nas fachadas enxaimel, na língua dos mais velhos e nos pratos que ainda saem dos fogões com receitas de mais de um século. A Rua XV de Novembro, principal via do centro, já foi chamada pelos moradores de Wurststrasse, ou “rua da linguiça”, em alemão.
O que ver e fazer na capital catarinense da cerveja
Blumenau concentra boa parte das suas atrações em uma área compacta entre o centro histórico e o Parque Vila Germânica. Em dois dias é possível cobrir os principais pontos e ainda reservar tempo para cervejarias e arredores.
- Parque Vila Germânica: sede da Oktoberfest, o complexo funciona o ano todo com restaurantes, lojas temáticas, artesanato e apresentações culturais. É a porta de entrada para a cultura germânica da cidade. Informações em turismoblumenau.com.br.
- Rua XV de Novembro: a principal rua do centro histórico reúne prédios enxaimel, cafés, confeitarias e museus. Aos domingos de outubro, vira palco dos desfiles tradicionais da Oktoberfest com carros alegóricos e fanfarras.
- Museu da Cerveja: instalado nas antigas instalações de uma cervejaria histórica, o espaço mostra a evolução da produção cervejeira em Santa Catarina com equipamentos originais e fotos raras da Oktoberfest. Na Rua XV de Novembro, 160.
- Museu Hering: acervo de mais de 150 mil itens catalogados desde 1880, instalado na antiga sede da marca têxtil fundada na cidade. Conta a história da indústria catarinense de um ângulo pouco óbvio.
- Parque Ecológico Spitzkopf: trilhas entre a Mata Atlântica, piscinas naturais, cachoeiras e um mirante no ponto mais alto da cidade. A subida ao topo leva cerca de três horas e entrega vista de 360 graus sobre o vale.
- Vila Itoupava: distrito a cerca de 25 km do centro considerado um dos bairros mais alemães do estado. Casas enxaimel às margens da estrada, gastronomia típica e o ritmo de interior que a cidade principal perdeu.
A Oktoberfest que nasceu de uma tragédia
Poucas festas brasileiras têm uma origem tão marcante. Em 1983 e 1984, o Rio Itajaí-Açu transbordou e isolou Blumenau por semanas, deixando rastros de destruição em boa parte da cidade. Para levantar a moral da população e reativar a economia, um grupo de descendentes alemães teve a ideia de replicar a Oktoberfest de Munique no vale catarinense.
A primeira edição, em 1984, durou dez dias e recebeu 102 mil pessoas, número que na época superava metade da população local. A festa cresceu sem parar. Hoje, segundo o site oficial da Oktoberfest Blumenau, o evento já reuniu mais de 25 milhões de visitantes em quatro décadas e atrai mais de 500 mil pessoas por edição, com 19 dias de programação em outubro. É considerada a maior festa germânica das Américas e a segunda maior do mundo, atrás apenas da original em Munique.
O que comer em Blumenau além do chope
A cozinha local é robusta, farta e guarda receitas que atravessaram o Atlântico no século XIX. Restaurantes de todo o centro servem os clássicos o ano todo, não apenas na Oktoberfest.
- Marreco recheado: o prato símbolo da cidade. A ave é assada lentamente com recheio de miúdos e servida com repolho roxo, purê de maçã e chucrute. Encontrado nos principais restaurantes típicos da Vila Germânica e arredores.
- Eisbein: joelho de porco cozido ou assado, acompanhado de chucrute e batatas. Prato de fartura que chegou com os imigrantes e nunca saiu do cardápio.
- Cuca alemã: bolo de tabuleiro coberto com farofa doce crocante, geralmente com banana, uva ou maçã. Vendida nas padarias e confeitarias do centro, é o melhor lanche da tarde com café colonial.
- Schnitzel e spätzle: lombo suíno empanado servido com a massa caseira irregular típica da culinária bávara. Presença garantida nos menus de quase todo restaurante alemão da cidade.
- Strudel de maçã: massa folhada recheada com maçã, canela e passas, servida morna com nata ou sorvete. Sobremesa obrigatória nos cafés coloniais do centro histórico.
Quando é a melhor época para visitar Blumenau?
O clima subtropical do vale garante visitas agradáveis durante boa parte do ano. Outubro é o mês mais concorrido por causa da Oktoberfest. Quem prefere a cidade sem multidão encontra temperatura amena nos meses de outono.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Blumenau saindo das principais cidades
O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional de Navegantes (NVT), a 55 km do centro. As principais companhias aéreas oferecem traslado de ônibus entre o aeroporto e Blumenau. De carro, a cidade fica a 152 km de Florianópolis pela BR-470 e a 65 km de Balneário Camboriú, o que torna possível combinar as duas visitas em uma mesma viagem.
Vale cruzar o país para conhecer Blumenau
Blumenau é uma das poucas cidades brasileiras onde a cultura de imigração permanece viva não como cenário, mas como hábito: nos pratos, nas festas e na arquitetura do dia a dia. A Oktoberfest é o cartão-postal mais famoso, mas a cidade surpreende em qualquer época do ano.
Você precisa conhecer Blumenau e perceber como uma enchente devastadora virou o ponto de partida de uma das maiores festas do mundo.