Em João Pessoa, capital da Paraíba, o sol nasce antes que em qualquer outra cidade das Américas. A Ponta do Seixas, no fim da praia do Cabo Branco, avança 1.683 metros a mais que qualquer outro ponto do continente em direção ao Atlântico.
A terceira cidade mais antiga do Brasil em atividade
Fundada em 5 de agosto de 1585 com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, João Pessoa é a terceira cidade mais antiga do Brasil ainda ativa. Os portugueses ergueram o núcleo às margens do Rio Sanhauá, ponto estratégico para defender o litoral dos ataques franceses e dos povos potiguaras aliados.
Entre 1634 e 1654, esteve sob domínio holandês e se chamou Frederikstad. O nome atual veio em 4 de setembro de 1930, em homenagem ao então presidente do estado João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado no Recife quando era candidato a vice-presidente da República na chapa de Getúlio Vargas.
Onde o sol nasce primeiro no continente?
A definição oficial veio em 1941, quando dois capitães-tenentes da Marinha do Brasil fizeram observações entre 5 e 12 de setembro nas duas pontas em disputa. Mediram com precisão e confirmaram que a ponta paraibana avança 1.683 metros a mais que a Ponta de Pedras, em Pernambuco, segundo o portal oficial Visite João Pessoa.
O local fica a 14 km do centro e tem apenas 1,5 km de extensão. Acima dele, sobre a falésia, o Farol do Cabo Branco foi inaugurado em 21 de abril de 1972 com formato triangular inspirado em uma planta de sisal, único no país, segundo a Secretaria de Turismo da Prefeitura de João Pessoa.
Quais praias visitar na orla pessoense?
São mais de 20 km de praias urbanas entre falésias, recifes e piscinas naturais. A maioria fica em uma faixa contínua que dá para percorrer a pé ou de bicicleta.
- Praia de Tambaú: a mais movimentada, com bares, restaurantes e a feirinha de artesanato. De lá saem catamarãs para o Picãozinho, conjunto de piscinas naturais.
- Praia do Cabo Branco: orla arborizada com calçadão de cerca de 6 km, ideal para caminhada ao amanhecer.
- Praia do Seixas: pequena faixa com piscinas naturais e o ponto extremo do continente americano.
- Praia do Bessa: apelidada de Caribessa pelos moradores, tem mar calmo e infraestrutura familiar.
- Praia do Jacaré: às margens do Rio Paraíba, em Cabedelo, famosa pelo Bolero de Ravel tocado no saxofone ao pôr do sol pelo músico Jurandy do Sax.
- Praia da Penha: abriga o Santuário de Nossa Senhora da Penha, fundado no século XVIII e tombado pelo patrimônio estadual.
João Pessoa desponta no Nordeste pelo excelente custo-benefício e infraestrutura litorânea. O canal Fabi Cassol | Minha Praia Viajar (276 mil inscritos) estrutura roteiros e custos reais, chancelando a melhor experiência na capital paraibana.
A segunda cidade mais verde do mundo
Durante a Rio-92, a Organização das Nações Unidas (ONU) classificou João Pessoa como a segunda cidade mais verde do mundo, atrás apenas de Paris. O título se sustenta no Jardim Botânico Benjamim Maranhão, conhecido como Mata do Buraquinho, com 515 hectares de Mata Atlântica preservada no meio da malha urbana.
É considerada a maior floresta semiequatorial nativa plana densamente cercada por área urbana do planeta. Mais de 7 m² de área verde por habitante completam o índice. O Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, e o Parque Solon de Lucena compõem o circuito verde do centro.
O que conhecer no Centro Histórico?
O traçado colonial preservou casarões, conventos e igrejas a poucos passos do Rio Sanhauá. O conjunto franciscano é considerado um dos mais importantes do barroco brasileiro.
- Igreja de São Francisco: complexo barroco com claustro, museu sacro e azulejos portugueses do século XVIII.
- Mosteiro de São Bento: um dos edifícios religiosos mais antigos do Brasil, em atividade desde o século XVI.
- Estação Cabo Branco: projetada por Oscar Niemeyer e inaugurada em 3 de julho de 2008, reúne ciência, cultura e artes em mais de 8.500 m².
- Centro Cultural São Francisco: instalado no antigo convento, abriga o museu e exposições temporárias.
- Parque Solon de Lucena: a Lagoa, no coração do centro, cercada por palmeiras imperiais centenárias.
- Casa da Pólvora: construção militar do século XVIII, hoje espaço museológico.
O tempero que mistura mar e sertão
A mesa pessoense combina frutos do mar do litoral com receitas do Sertão paraibano. Os restaurantes da orla dividem espaço com endereços tradicionais do centro.
- Peixada à paraibana: peixe fresco cozido em leite de coco, com legumes e pirão, prato símbolo da capital.
- Rubacão: arroz, feijão verde, carne seca e queijo coalho, cozidos juntos em uma só panela.
- Carne de sol com macaxeira: clássico nordestino servido com manteiga de garrafa.
- Tapioca recheada: opção comum no café da manhã e nas feirinhas da orla.
- Camarão na moranga: receita litorânea servida dentro da abóbora em restaurantes de Tambaú.
Qual a melhor época para visitar a Porta do Sol?
O clima é tropical úmido, com calor o ano todo. A diferença está nas chuvas, mais fortes entre abril e julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital onde o sol nasce primeiro?
O Aeroporto Internacional Castro Pinto fica a cerca de 11 km do centro e recebe voos diretos de capitais como São Paulo, Brasília, Salvador, Belo Horizonte e Recife. Do Recife, a viagem por terra é de cerca de 120 km pela BR-101.
De Natal, são aproximadamente 185 km, também pela BR-101 sentido sul. Ônibus interestaduais partem diariamente das principais cidades do Nordeste rumo à rodoviária pessoense, no bairro de Varadouro.
Acorde cedo e veja o sol nascer em João Pessoa
Poucas capitais brasileiras reúnem mar de águas mornas, herança colonial, Mata Atlântica em pleno centro e o privilégio de ver o primeiro raio de sol das Américas bater na areia. A cidade segue um ritmo próprio, sem a pressa que o calor poderia justificar.
Você precisa acordar antes do amanhecer e ir até a Ponta do Seixas para entender por que João Pessoa é a porta de entrada do sol em todo o continente americano.