As recentes declarações do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, provocaram forte reação nas redes sociais e entre defensores da propriedade privada após o mandatário afirmar que “as fachadas das casas são públicas” ao comentar pichações próximas à residência do ex-presidente Álvaro Uribe.
A fala foi interpretada por críticos como uma tentativa de relativizar o direito de propriedade e normalizar atos de vandalismo urbano sob o argumento de “expressão artística”. O episódio rapidamente ultrapassou as fronteiras da Colômbia e repercutiu também no Brasil, especialmente entre empresários e defensores de políticas de combate à degradação visual das cidades.
Um dos que reagiram duramente foi o empresário brasileiro Luciano Hang, dono da Havan, conhecido por campanhas em defesa da limpeza urbana e contra pichações. Em comentário publicado em uma página que repercutia as falas de Petro, Hang disparou:
“O povo colombiano não merece um político tão ruim. Quando um líder normaliza a desordem, incentiva a degradação visual e ignora o vandalismo e a poluição visual excessiva, ele contribui para o caos nas cidades.” Veja a fala de Petro:
O empresário ainda afirmou que estudos nas áreas de neurociência e psicologia apontam que ambientes degradados visualmente aumentam a sensação de insegurança, abandono e ausência de autoridade pública.
A crítica encontra respaldo em diversas pesquisas urbanísticas e psicológicas que relacionam poluição visual, vandalismo e deterioração urbana ao aumento da percepção de criminalidade e estresse social. A chamada “teoria das janelas quebradas”, amplamente debatida em políticas públicas de segurança, sustenta justamente que sinais de abandono e vandalismo tendem a estimular ainda mais desordem e sensação de caos social.
Especialistas em urbanismo também apontam que pichações não autorizadas alteram negativamente a paisagem urbana, impactam o humor coletivo e podem influenciar diretamente a percepção de qualidade de vida em grandes cidades. Em contraponto, defensores do grafite alegam existir diferença entre arte urbana autorizada e atos de vandalismo praticados sem consentimento dos proprietários.
A polêmica aumentou porque, apesar da fala de Petro ter sido apresentada como defesa da liberdade artística, juristas colombianos lembraram que a fachada continua pertencendo ao dono do imóvel, e intervenções sem autorização ainda podem configurar dano ao patrimônio privado. 
Nas redes sociais, opositores do presidente colombiano passaram a acusá-lo de incentivar a desordem urbana em um momento em que diversas cidades da Colômbia enfrentam críticas relacionadas à segurança pública e deterioração dos espaços urbanos.