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Início Justiça

Operação mira fintechs da Faria Lima por suspeita de ligação com lavagem de dinheiro do PCC

Por Junior Melo
28/maio/2026
Em Justiça
Operação mira fintechs da Faria Lima por suspeita de ligação com lavagem de dinheiro do PCC

Avenida Brigadeiro Faria Lima - Crédito: Marcos Santos/USP Imagens/Creative Commons

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou nesta quinta-feira (28/5) a operação Fluxo Oculto, que investiga seis fintechs da Avenida Faria Lima, em São Paulo, suspeitas de movimentar bilhões de reais para o PCC em esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao tráfico de drogas, armas e fraudes no setor de combustíveis.

Como a Operação Fluxo Oculto amplia o cerco financeiro contra o PCC?

A nova ofensiva é um desdobramento da operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025. Na ocasião, as autoridades descobriram que a facção criminosa utilizava fintechs e fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos dentro do sistema financeiro nacional.

Segundo o MPSP, as seis empresas investigadas nesta fase teriam movimentado cerca de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2024. As fintechs passaram a ser usadas após outras instituições terem sido bloqueadas ou liquidadas pelas autoridades.

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Como as fintechs teriam operado esquema bilionário de ocultação?

De acordo com os investigadores, as fintechs funcionavam como um “núcleo financeiro” da organização criminosa. O dinheiro era usado para compensações internas entre distribuidoras, postos de combustíveis e fundos ligados ao grupo criminoso.

As investigações apontam ainda suspeitas de pagamentos de despesas pessoais, salários de colaboradores e investimentos privados dos operadores da facção. O MPSP também apura possível omissão de informações por administradoras financeiras para dificultar o rastreamento dos recursos.

Contas bolsão ajudavam a esconder movimentações suspeitas

As autoridades afirmam que parte da lavagem de dinheiro ocorria por meio das chamadas “contas bolsão”, modelo que reúne recursos de diversos clientes em uma única conta de compensação no Sistema Financeiro Nacional. Entre os principais indícios encontrados pelas autoridades estão:

  • Depósitos elevados em dinheiro vivo
  • Movimentações incompatíveis com instituições de pagamento
  • Transferências entre fintechs para criar dupla ocultação
  • Operações suspeitas com criptoativos
  • Falta de prestação de contas à Receita Federal

Como a Receita Federal identificou milhões em criptoativos suspeitos?

A Receita Federal informou que as fintechs investigadas também movimentaram cerca de R$ 365 milhões em criptoativos com indícios de irregularidades relacionadas a organizações criminosas.

Três empresas não prestaram informações obrigatórias ao Fisco, enquanto outras declararam cerca de R$ 8 bilhões em movimentações somente entre janeiro e dezembro de 2025. A operação desta quinta-feira cumpre 55 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros.

Esquema incluía adulteração de combustíveis e empresas fantasmas

Outra frente da operação mira o desvio de nafta petroquímica para abastecimento clandestino de postos de combustíveis na Grande São Paulo. Segundo as investigações, empresas de fachada simulavam compras de solventes para mascarar o destino real dos produtos.

Durante a Carbono Oculto, autoridades descobriram que o PCC importava nafta e metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, utilizando usinas, caminhões e distribuidoras para adulterar gasolina e etanol. O esquema teria movimentado cerca de R$ 52 bilhões em quatro anos.

Como os fundos de investimento passaram a ser investigados?

Quatro fundos de investimento, duas administradoras de recursos e duas gestoras também entraram no radar do MPSP. Os fundos investigados possuem patrimônio estimado em R$ 205 milhões e crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

Para os investigadores, a operação representa um avanço no combate ao chamado “ecossistema financeiro do crime organizado”. O objetivo agora é identificar novos participantes e interromper o fluxo de dinheiro que sustenta as atividades da facção em diferentes setores da economia.

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