A 20 km de Natal, no município de Extremoz, as dunas de Genipabu ultrapassam 20 metros de altura e mudam de forma diariamente com a ação dos ventos alísios. Conhecida como “Saara do Nordeste”, a região combina dunas, lagoas de água doce e mar aberto em uma paisagem única, que já serviu de cenário para produções vistas por milhões de brasileiros. O nome tem origem no tupi jenipab-u, “rio dos jenipapos”, como registrou o historiador Luís da Câmara Cascudo.
Das batalhas coloniais aos cenários de novela
Muito antes do turismo, Genipabu foi palco de conflitos históricos. Em 1631, tropas holandesas desembarcaram na região em tentativa de dominar a capitania do Rio Grande. Povos indígenas Potiguares resistiram por décadas nas áreas próximas à foz do rio Baquipe, atual Ceará-Mirim.
Séculos depois, o cenário mudou completamente. As dunas ganharam projeção nacional ao aparecer em produções da TV Globo. Novelas como Cambalacho, Tieta, O Clone e Flor do Caribe transformaram a paisagem em um “deserto” televisivo que representou até o Marrocos. Em 2023, a praia foi eleita a 8ª mais bonita da América do Sul pelo prêmio TripAdvisor Travelers’ Choice.
Dunas em movimento e o passeio que virou tradição
Os ventos constantes redesenham as montanhas de areia de Genipabu semana após semana, criando um cenário que nunca se repete. As dunas se dividem entre fixas, cobertas por vegetação e cajueiros, e móveis, formadas por areia solta e relevo instável. Antes de iniciar o trajeto, os bugueiros fazem a pergunta que se tornou marca registrada do lugar: “com emoção ou sem emoção?”.
Na versão com emoção, o passeio inclui manobras nas cristas das dunas, descidas íngremes nos paredões e velocidade suficiente para sentir o vento no rosto o tempo todo. Já a opção mais tranquila percorre o mesmo roteiro com ritmo moderado e paradas para fotos. Os passeios partem da própria praia ou de hotéis em Ponta Negra, em Natal. A Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte exige que apenas bugueiros credenciados, com selo de permissionário, operem na área para garantir a segurança dentro do parque ecológico.
Genipabu é o “Saara do Rio Grande do Norte”. O vídeo é do canal Arruda Hobbies, com 105 mil inscritos, destacando os dromedários, os passeios de buggy e a lagoa de água doce entre as dunas.
Lagoas, esquibunda e dromedários no meio da areia
O percurso de buggy inclui paradas que combinam adrenalina e descanso entre as dunas.
- Lagoa de Genipabu: espelho de água doce encaixado entre as dunas, com tom azul-turquesa. O banho é restrito por se tratar de área de proteção ambiental, mas a contemplação e as mesas dentro d’água já valem a parada.
- Esquibunda: o turista senta em uma prancha de madeira e desce a duna em alta velocidade até mergulhar na lagoa. Diversão clássica para todas as idades.
- Aerobunda: tirolesa que parte do alto da duna e termina com pouso suave na água.
- Passeio de dromedário: percurso de cerca de 20 minutos pelas dunas, com turbante para as fotos. Os animais foram introduzidos na década de 1990 e se adaptaram ao clima. A atividade reforça a atmosfera de deserto em pleno trópico.
- Lagoa de Pitangui: a 6 km, com caiaques, pedalinhos e redes sobre a água. Extensão natural do roteiro de buggy.
Uma área protegida de quase 2 mil hectares entre dunas e manguezal
Para proteger o patrimônio natural, o governo estadual criou a Área de Proteção Ambiental Jenipabu em 1995, por meio do Decreto Estadual nº 12.620. A unidade de conservação, gerida pelo IDEMA, abrange 1.881 hectares entre Extremoz e Natal, preservando dunas, Mata Atlântica, manguezal e lagoas. O controle de acesso e o credenciamento de bugueiros são parte do modelo que busca equilibrar turismo e preservação.
Extremoz vive uma transformação acelerada. Segundo o Censo 2022 do IBGE, a população saltou de 24.569 para 61.635 habitantes em 12 anos, um crescimento de 150,6%, o terceiro maior do país no período. A proximidade com Natal pela Ponte Newton Navarro e o custo de vida mais baixo atraem novos moradores sem que as dunas percam espaço.
Quando ir a Genipabu e como é o clima?
Natal registra cerca de 300 dias de sol por ano, e Genipabu aproveita esse privilégio. A temperatura média anual gira em torno de 26°C. A estação chuvosa se concentra entre abril e julho, quando os passeios de buggy podem ser interrompidos por pancadas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (Natal). Condições podem variar.
Como chegar ao Saara do Nordeste
Genipabu fica a 20 km de Natal. O acesso mais cênico é pela Ponte Newton Navarro, saindo da Zona Norte da capital, com vista para o Rio Potengi. Do Aeroporto de Natal (em São Gonçalo do Amarante) são 30 a 40 minutos de carro. A maioria dos turistas se hospeda em Ponta Negra e contrata buggy credenciado que busca no hotel. Carro comum não deve entrar nas dunas: o risco de atolar é alto. Leve dinheiro em espécie, porque o sinal de internet oscila na areia.
Suba a duna que o vento redesenha amanhã
Genipabu é o deserto que fica a 20 minutos de uma capital, onde holandeses tentaram desembarcar em 1631, onde a Globo filmou o Marrocos sem sair do Rio Grande do Norte e onde o bugueiro pergunta se você quer emoção antes de descer um paredão de areia. As dunas mudam de forma toda semana, a lagoa muda de cor conforme o sol e o dromedário muda o cenário de praia para Saara em uma única foto.
Você precisa ouvir “com emoção ou sem emoção?”, escolher a primeira opção, sentir o vento na cara descendo a duna e entender por que esse pedaço de areia a 20 km de Natal virou o deserto mais fotografado do Brasil.
