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Governo avalia mudança de lei que pode levar a aumento no preço das passagens de ônibus

Por Guilherme Silva
24/maio/2026
Em Geral
Governo avalia mudança de lei que pode levar a aumento no preço das passagens de ônibus

Pressão tarifária no transporte público decorrente de propostas para redução da jornada

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A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil gera alertas importantes sobre o setor de mobilidade urbana. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos indica que mudanças na legislação trabalhista podem pressionar diretamente o valor das passagens de ônibus em todo o país.

Por que a redução da jornada afeta os custos das operadoras?

O setor de transporte coletivo é altamente dependente de mão de obra, sendo os salários o principal componente das despesas operacionais. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, o custo com pessoal representa 43,1% do valor total gasto pelas companhias para manter as linhas em circulação.

Qualquer alteração na carga horária semanal impacta a estrutura de custos das empresas. Se o modelo de contratação exigir mais profissionais para cobrir o mesmo período de operação atual, o déficit orçamentário será inevitável, o que pode resultar em reajustes tarifários para os passageiros.

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Idoso esperando ônibus - Créditos: depositphotos.com / joasouza
Esperando ônibus – Créditos: depositphotos.com / joasouza

Qual o impacto financeiro projetado em diferentes cenários?

As simulações realizadas pelo setor mostram que o impacto varia conforme o número de horas trabalhadas por semana. Como o financiamento do sistema depende essencialmente da arrecadação nas roletas, o desequilíbrio entre receita e despesa obriga o sistema a buscar alternativas para se manter sustentável.

Veja na tabela abaixo os impactos estimados sobre os custos com mão de obra:

Como está a tramitação destas propostas no Congresso?

O debate legislativo em 2026 avançou com força na Câmara dos Deputados. Diversas propostas visam modernizar a relação de trabalho no país, mas a complexidade técnica exige análises cautelosas, especialmente em setores de serviços essenciais que operam em escala contínua, como é o caso das frotas municipais.

Confira os principais projetos em discussão:

  • PEC 221/2019: propõe redução gradual para 36 horas em dez anos, com análise em comissão especial.
  • PEC 8/2025: sugere a jornada de quatro dias por semana, limitando o trabalho a 36 horas semanais.
  • Projeto de Lei do Executivo: busca fixar a jornada de 40 horas por meio de legislação ordinária, tramitando em regime de urgência.

Quais os riscos para a oferta de transporte público?

Além da pressão tarifária, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos aponta uma escassez estrutural de profissionais qualificados no mercado. Mais da metade das operadoras já encontra dificuldades para contratar motoristas e mecânicos, o que torna qualquer expansão forçada da força de trabalho um desafio logístico crítico.

A entidade também levanta preocupações sobre a segurança viária. Existe o receio de que motoristas busquem fontes de renda complementares em aplicativos se a jornada for reduzida sem a devida compensação salarial, resultando em fadiga excessiva e maior exposição ao risco de acidentes nas vias urbanas.

Como o setor enxerga o futuro do transporte coletivo?

O cenário é de fragilidade econômica, conforme aponta o Anuário NTU 2024-2025. Mesmo com o apoio de subsídios públicos e políticas de tarifa zero, o volume de passageiros ainda não retornou aos níveis ideais para cobrir os investimentos necessários para a modernização das frotas.

A inclusão do transporte coletivo no debate sobre a reforma trabalhista é considerada urgente pelos operadores. Sem uma solução que contemple a sustentabilidade financeira do serviço, qualquer aumento de despesas será sentido no bolso do usuário final, comprometendo o acesso da população ao transporte essencial garantido pela Constituição Federal.

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